É Natal! Dizem...
Eu acho-lhe piada. Talvez pelo vermelho, não sei. Andamos a tilintar de frio e de repente o mundo enche-se de uma vermelho quentinho. Sempre aconchega qualquer coisa.
Não ligo grande coisa à tradição religiosa e irrita-me o corropio disparatado nas lojas. Derretem-se euros em ninharias e palermices, diabetes encaixotados, rococós e chinezices e embrulhos aparolados. Continua a surpreender-me que os enfeites nas ruas e os anúncios de brinquedos se antecipem cada vez mais e ano após ano se aproximem do Verão. Incomoda-me a parolice dos pais natais nas varandas a fazer companhia às bandeiras que ficaram do Euro. Há-de vir o decreto que obrigue o Scolari a apanhá-las todas, uma a uma!
Ainda assim, aquele vermelho quentinho...
A Ariana por outro lado, vibra com a coisa independentemente da cor. Eles que pintem o Nicolau de laranja a ver se ela perde o sono! Desde que haja papel para rasgar, por ela tudo bem. Acho que nem é tanto pelo conteúdo, é mais pela descoberta. É pegar, rasgar, e seguir para o próximo. Quantos brinquedos estão encaixotados em cima do roupeiro? Ah pois é...
Por causa destes exageros, o Natal da Ariana este ano começou com uma dádiva de presentes. Pegámos numa parafernalia de jogos e joguinhos, bonecos e bonequinhos, juntámos uma pitada de outros objectos úteis a progenitores menos abastados e rumámos a um centro de acolhimento de crianças.
Acho que a piada do Natal é mesmo essa. Dar. Já repararam que por esta altura anda toda a gente numa boa onda? Um género de estado de ganza generalizada. Eu sou daqueles que acredita que esta boa onda está associada ao facto de dar-mos coisas aos outros. Não façam caso desta ingenuidade, mas acho que somos inatamente mais felizes a criar do que a destruir, e dar tem a ver com criar algo novo em alguém.
Os sacos que deixámos hoje no centro de acolhimento encheram uma bagageira e metade do banco traseiro. Algumas destas coisas estão por estrear, ou quase. Acho a Ariana ganhou mais em desfazer-se deles do que em usá-los.
Parece-me que as pessoas andam demasiado preocupadas em deixar as crianças serem crianças (como se fossem apenas os brinquedos que fizessem delas crianças), e demasiado esquecidas que de um dia elas terão que ser adultas. Há um meio termo para tudo. Não encham os putos de brinquedos, isso não os faz mais felizes nem mais crianças. Ensinem-nos a dar. Pelo menos isso faz deles mais pessoas!
PS: Na foto a Ariana está junto à árvore de Natal do centro de acolhimento. O boneco foi o único de que não conseguiu desfazer-se. Para quem deu tanto, é mais que justificar com ele.
E agora minha gente, tenham um Bom Natal! Se conseguirem...
(Saudosa homenagem ao Igor do Conde Patrácula ;)
domingo, 21 de dezembro de 2008
Brinquedos para os meninos
Publicada por Faginea à(s) 12:30 0 comentários
Etiquetas: Ofertas
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
O Natal, o Nicolau e a mãe da Teresa
Hoje foi o dia da Festa de Natal da escola da Ariana, que incluiu as actividades do costume. Música, poemas cantados, mesa posta para os convidados (my personal favourite!), prendas, Pai Natal (um tal de Nicolau), exposição das Árvores de Natal das familias (ver foto ali ao lado) e brincadeiras infantis post-party, que é como quem diz: mais roupa para lavar! À parte da mesa posta, que como já disse esteve no TOP dos favoritos, achei particular piada a esse tal de Nicolau, Pai Natal para os amigos. Estranhei logo à partida o facto de demorar tanto tempo a aparecer. Não conseguia na altura perceber o porquê daquilo mas mais tarde tudo acabaria por fazer sentido.
A dada altura lá entrou o Nicolau (Pai Natal para os amigos), a ajeitar a barba torta, de saco às costas e com um Ho Ho Ho muito suspeito. Esganiçado de mais! Tudo se estava a compôr, na minha cabeça as coisas começavam finalmente a fazer sentido. Quem deu o golpe final foi a Ariana! Aquando da aproximação das crianças aos presentes (leia-se cambada de putos a atropelar os pais para chegar perto de um gordo ficticio que tanto quanto sei nem sequer se chamava Nicolau!), voltou para trás e diz com um ar de espanto mas ao mesmo tempo de divertida e chateada: "É a mãe da Teresa!".
E pronto! Estava o mistério resolvido. Não era o verdadeiro Pai Natal, o tal Nicolau, apenas uma imitação de última hora protagonizada por uma mãe sempre disposta a fazer serviço público. Olhando para trás percebemos que não fomos de todo inteligentes. As pistas estavam lá. A barba torta, a voz esganiçada, e principalmente, principalmente amigos, o atraso! Quem é que costuma demorar sempre mais que tempos a vestir-se? As mulheres! Óbvio que nunca podia ser o Nicolau!
Era de facto a mãe da Teresa disfarçada. Sim, disfarçada, mas pelos vistos não o suficiente.
Publicada por Faginea à(s) 19:01 0 comentários
Etiquetas: Festas
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