
A Nanook é um cão especial. Para tal bastava saber que é um dos cães da Ariana, mas há mais. Primeiro pelo nome. De facto não lembra a ninguém. Só mesmo a mim claro. Nanook foi uma resposta inata a um comentário da Xana há uns anos atrás quando ainda nos debatíamos com a indecisão do nome do cão. Achava ela que ele tinha cara de esquimó. "Então chama-lhe Nanook" disse eu. Pareceu-me lógico.
Para quem não sabe, Nanook é o nome de um
Inuk que surge documentado no filme
Nanook of the North do
Robert Flaherty. Considerado o primeiro documentário da história do cinema, é uma seca pegada para quem não tiver um minimo de interesse pela história do cinema. E sim, nesse aspecto, bate as novelas da SIC aos pontos!
Mas não é só o nome que o torna especial. Por exemplo o Nanook não se sabe sentar como os cães normais. Apenas pelo simples facto de não ser um cão normal, nada mais! Uma das patas traseiras fica deitada, o rabo apoia-se nela e a outra fica erecta à espera de servir de alavanca quando decide levantar-se. O que diga-se de passagem, para ele é um tormento e vem sempre acompanhado de um som estranho que facilmente entendemos como um cocktail de rabugice e preguiça.
Dizem, os entendidos em canídeos que já lhe puseram a vista em cima, que é "arraçado" de Castro Laboreiro. Se olharmos para ele percebemos que tem alguma lógica. Mas o Nanook está longe de ser um cão lógico. Lembrem-se, ele é especial. E apesar de ser até bastante provável que tenha alguns genes de Laboreiro parece-me que a misturadora de genes onde foi concebido teria com certeza fugas. É que o Nanook tem uma tolerância ao frio que fica quase perto do -3 numa escala de 0 a 10! Não se pode dizer que seja um cão do Norte!
Mas é. Curioso. Surgiu nas nossas vidas em Vila Real, ainda cachorro, trapalhão como sempre, medroso quanto baste a esconder-se nos arbustos e debaixo dos carros na bela e saudosa
UTAD. Deu então de caras (neste caso focinho), com a Xana. Apesar de no inicio lhe ter chamado cadelinha (digamos que a identidade do Nanook ainda não era suficientemente visivel), o bicho acabou por se afeiçoar a ela e ela a ele.
Depois de umas noites passadas em Vila Real, e outras no Porto na saudosa Residencial Tinoco (Private Joke), veio para o Ribatejo onde, a julgar pela tolerância ao frio, se sentirá provavelmente mais confortável.
Desde então tem sido o palerma de sempre. Muito vagaroso e trapalhão, pouco dado a correrias (até porque com aquele corpo são precisos uns 15m para arrancar), e sempre, sempre pronto para petiscar. Gatos? Sim, já acabou com alguns infelizmente. Cães? Não tem contacto com muitos, mas o Putchi, o outro cão da Ariana, só não foi desta para pior porque o mudámos para a casa da Avó Georgina.
Agressivo? Não sei. É tudo muito relativo. Eu por exemplo tive um cão que será provavelmente o mais meigo da história canídea, o Beethoven. No entanto, não havia uma única vez que não me rosnasse quando me aproximava da comida dele. O Nanook por outro lado, mesmo com a intolerância a gatos e a outros cães, deixa fazer isto que a foto mostra.
É um cão estranho, diferente, especial, palerma quanto baste. Não posso dizer que confio 100% no Nanook. Mas não tenho problemas em dizer que também não vou abaixo dos 99%.
É um cão especial. É o cão da Ariana. Esperamos que por muitos anos.