É mais que sabido que, quando um destes diabretes de idades macias instala o estaminé e por lá fica muito sossegadinho durante tempos infindáveis, sem dizer nada a ninguém, das duas uma, ou lhe deu o badagaio, ou está a fazer alguma propicia ao badagaio alheio. Foi o caso. Estavamos a transplantar uns freixos, (cerca de 400), enquanto a Ariana andava de um lado para o outro a brincar no jardim. Freixo aqui freixo ali e deixámos de a ouvir. Quando o cérebro acordou p'a vida lembrei-me de ir ver o que andava a fazer. Já tinha abandonado o ninho e deixado a obra à vista.
Vi, assimilei, devagarinho... muito devagarinho, e retirei-me da exposição, sem me descoser. Fui ter com ela e como quem não quer a coisa disse: "Já viste o que aconteceu à 4L? Tá cheia de coisas amarelas esquisitas. O que será aquilo?" Começou logo a encolher-se e retorcer-se e a falar vagarosa e envergonhadamente num dialecto estranho que até hoje não consegui identificar para por fim lá dizer que tinha sido ela. Uma vez que a tinta, (por sorte!) é lavável, e já que a rapariga foi sincera não vale a pena fazer muito estrilho. Bla bla bla isto não se faz, tralala não é no carro que se pinta, pois pois pois e tal, mas deixem lá a rapariga ter quatro anos sossegadinha! Daqui a uns anos à conta destas e de outras haverá serões bem passados a recordar e gargalhar episódios semelhantes. Entretanto é ir apreciando as maravilhas que a artista fez ao puxador da porta, porque pouco mais à a fazer.
E já agora, dando direito de antena ao diabrete, importa dizer que a justificação por ela encontrada para decidir pintar a 4L de amarelo não podia ter sido mais bem fundamentada: "Eu pintei de amarelo porque já estava farta de ver a outra cor!" Aprenderam?

