Depois de um interregno de algumas semanas para se matar a cabeça com outras coisas, cá estamos nós de volta. E da melhor maneira: cheios de praia e bicharada!
A "mãe Xana" fugiu-nos na sexta-feira à tarde e rumou a Vila Real para um reencontro com UTADinos desaparecidos em combate. Nós por cá ficámos a curtir o espaço a mais na cama, que diga-se de passagem, a Ariana fez questão de ocupar em proporções duplicadas (Xana, volta, tás perdoada!). Ficámos de ir ter ao Porto hoje para um encontro imediato com a famosa parelha circense Di-Dri (veneninho :). E lá fomos para que a Ariana conhecesse a Dri e reencontrasse a Di.
Às 6 da manhã já estava eu a pé porque o sono se cansou de me manter na horizontal. Curiosamente à mesma hora estava a Xana a deitar-se. Portanto, podemos olhar para a coisa mais ou menos como uma mudança de turno. Às 7 comecei a "picar" o bicho mau a ver se arrebitava e se se voltava para o mundo dos acordados. Comeu o pequeno almoço como de costume, meio a dormir, meio adormecida e depois do festival circense que costuma ser o processo de lhe vestir a roupa lá fomos apanhar o 1º comboio do dia.
Lamarosa, Entroncamento foi um instante e com o entusiasmo normal de uma criança que sabe que dali a algumas horas vai pôr os pés na areia da praia. Nestes casos, o facto de ter tido ontem um dia de correrias em casa dos avós, de se ter deitado tarde e acordado muito cedo é sempre secundário. No Entroncamento tomámos o 2º pequeno almoço enquanto esperávamos que chegasse o 2º comboio do dia. Alfa-Pendular, Entroncamento-Espinho. Um mimo, diga-se de passagem. O sorriso da miúda era aquele de quem ganhou um brinquedo novo. Refastelada nos enormes bancos com as pernas a balançar e os olhos brilhantes a vaguear pelas novidades banais de um comboio moderno: cabides rebativeis, persiana elétrica, canais de música com phones, apoios para os pés (para quem lá chega com as pernas que, apesar de se ter esticado, não é o caso dela), mesa-tabuleiro de proporções avantajadas, espaço entre bancos em versão diferente daquela para anões presente nos Intercidades), e claro, a maravilha da televisão! Experimentou tudo, à excepção dos phones. É que apesar de termos gasto quase 20 euros no bilhete ninguém se lembrou de o pedir e de trazer os phones. Para a próxima guarda-se a nota.
Espinho! Perna fora do comboio e passo entusiasmado. Ainda perguntou onde estava a praia, estranhando o facto de só ver prédios mas quando viu uma coisa azulada lá ao fundo por entre os mamarrachos espinhenses lá se pôs com aqueles modos de provinciana de 80 anos que nunca viu a praia senão nas fotos a preto-e-branco do jornal lá da terra. Chegados ao muro que limita a praia, estica-se a cachopa em jeitos de se acimar dele como se não chegasse a altura que tem para ver as vistas. Depois da foto da praxe lá se pôs no equilibrismo do costume em cima dos muros até que de repente, se lembra de descer. À minha pergunta: "então? não queres andar mais em cima do muro?", responde-me com um tom adulto: "não pai! porque pode haver pessoas que se querem sentar aqui e depois ficam sujas por causa dos meus pés!" Ora toma, embrulha e oferece no próximo Natal a quem te der mais jeito.
Chegados à praia, como é óbvio perdi-a de vista (jeito de dizer, claro!). Correu desenfreadamente pela areia, fujiu do mar, subiu e desceu as rochas com um destemido equilibrismo que não eu não conhecia, apanhou conchas, perdeu conchas, mexeu, viu, espreitou, comeu e bebeu praia e matou saudades. Sentámo-nos então um bocado nas rochas perto dos salpicos das ondas a ver o mar ao longe. Saiu uma foto de "caretas" porque são das poucas que a fazem ter disposição para ser fotografada. A custo, lá voltámos à estação para o 3º comboio do dia: Espinho-Porto.
Chegados à invicta (só de nome, porque lembro-me bem de terem levado 4 do Arsenal. Tanto veneno... :)congratulou-se com o facto de já "ser crescida" porque segundo a senhora da Loja Andante aos 4 anos já se tem que pagar. Congratulou-se ela apenas. Porque nem eu nem a minha carteira acharam muita piada. Tanto que, lá mais para o fim do dia, na viagem de regresso quando voltaram a perguntar-me a idade dela disse que tinha 3! Não! Ia pagar mais sei lá quanto para andar num pseudo-metro que nem sequer andar debaixo do chão! Mas complexos de inferioridade nortenhos à parte (beba da água quem tiver sede), o que importa é que chegámos ao São João depois de andar no 4º e 5º "comboio" do dia para regojizo da pequena. São João hospital claro, nada de martelinhos.
Aí chegados apanhamos a seca das nossas vidas num autocarro que liga o Hospital de São João ao Zoo da Maia numa tal enfadonhice que quase perdi a vontade de fazer o que quer que seja. A Ariana chegou mesmo a adormecer a 5m de chegarmos (sabia lá ela). Mas quando a tirei do autocarro, a sentei no muro da entrada e lhe disse que já estava a ver uma Zebra passou-lhe o efeito do hipnótico natural, arregalou os olhos e injectou-se de adrenalina para ir dar como achado o tal cavalo em pijama.
Entrámos e começou a correria. Acordou às 7? Estava a dormir há 10m atrás? Está cansada? Está na hora do almoço? E então? A avestruz que o diga, que àquele stress de viver encarcerada teve que juntar o de aturar um diabrete de 4 anos a correr de um lado para o outro em frente à rede. Só a conseguiu demover do corropio depois de começar a dar bicadas na rede. Como um bico de avestruz mete um certo respeito, a Ariana lá achou melhor acalmar. Seguiu uma catrefada de bichos que já toda a gente viu mas que para uma criança é sempre "um mundo". Foram vários felinos, uns quantos primatas, passarada vária e um ou outro bicho estranho, mas o que lhe fez mais arregalar os olhos foram os que eu já esperava. O pachorrento hipopotamo, a foca, os cangurus, os cavalos em pijama e a única coisa que mexeu comigo: o lince.
Mexeu comigo por duas razões. Primeiro porque não me lembro de alguma vez ter visto um animal tão espectacular. Depois porque quando me aproximei um pouco de mais para tirar foto o rapaz lembrou-se de rugir forte e lançar a pata por entre a rede. A probabilidade da pata dele caber e encaixar na perfeição naquele intervalo de rede de forma a conseguir esticar as unhas uns 15cm cá para fora é reduzida. Mas reduzida, não quer dizer nula. Enquanto eu recuperava o ritmo cardíaco normal a Ariana ia-me ajudando a constatar o óbvio: "ó pai acho que é melhor não fazeres isso outra vez. Ele se calhar está chateado!". Acabou por ser impossível tirar-lhe fotos não desfocadas tal era a inquietude. Achei melhor pôr de lado o egoísmo da contemplação e deixá-lo sossegado na sua triste existência encarcerada.
Depois de mais uns corropios e mais uns animais, fomos ao almoço. Um triste prego no prato que só não foi parar ao livro de reclamações porque para perder tempo tinhamos os atrasos nos comboios, as informações incorrectas sobre transportes dadas pelos transeuntes no Porto, ou a visita ao reptiliário que havíamos de fazer a seguir. Logo à partida é estranho que vejam animais mortos num local onde supostamente apregoam haver um propósito educativo. Não sei o que é que se promove de bom nas crianças ao mostrar-lhe aranhas e reptéis mortos dentro de aquários de vidro, mas cada um tem as suas noções retorcidas.
Para não perdermos muito tempo a falar do que não merece, digamos apenas que os Zoos são por definição coisas do mais mau que há e que o da Maia consegue ir um pouco mais além do mau. Eu sei, nós fomos lá! Somos culpados de contribuir para a existência dele. Mas fomos para não morrer parvos e para ter uma opinião que não se baseie no diz que disse e para mostrar à Ariana coisas que não vê em mais lado nenhum. De resto o meu conselho é simples, não ponham lá os pés nem incentivem ninguém a fazê-lo.
Se por algum motivo quiserem ou tiverem que fazê-lo mantenham viva na cabeça das crianças a consciência de que aqueles animais apenas estão ali porque não têm condições de sobreviver em estado selvagem. Onde é o lugar deles!! Por exemplo um animal que se chega aos limites da jaula quando se aproximam pessoas não estará propriamente nas melhores condições para enfrentar os desafios da vida selvagem. Está mais inprintado que o capitão américa do CERAS. Mas adiante...
Regressámos ao Porto para encontrar finalmente a Xana, a dupla circerse Di-Dri. Fizemo-lo no 6º e 7º comboio do dia. Garanto eu, porque a Ariana entretanto já tinha perdido a conta. Depois do reencontro hollywoodesco com a mãe e do derreter da vergonha com as restantes companhias seguiu-se um gelado no shopping que ficou a meio. O dela e o meu também, porque gelado doce é diferente de açúcar gelado e quando tendem a confundir as coisas eu por norma digo não obrigado. Enganaram-me só nas primeiras 10 colheres.
A Ariana recebeu uma prenda do tamanho da mesa mas insistiu em não abrir : "só quero abrir em casa". Nem meio mundo de insistência e meia hora de teimosia demoveram a rapariga. Vá-se lá saber quem é que lhe meteu na cabeça esta ideia de abrir as prendas só em casa. Manias. Despedimo-nos da Dionisia e da Adriana e do Luís (agora sim sem nomes artísticos), sem que a catraia se convencesse que tinha que abrir a prenda ali no Norte. Seguimos então no 8º comboio do dia até Campanhã para apanhar o 9º e último comboio diário. Já encaixados nos bancos a Ariana aterrou na horizontal para acordar só algumas centenas de km depois. A Xana passou pelas brasas, mas acabou por não se "queimar" muito.
Chegada a casa a Ariana lá abriu finalmente a prenda. Uma tabela de basket! Não foi novidade. Adivinhámos entretanto durante a viagem para Campanhã pelo formato da coisa. A Ariana é que ficou espantada e lá fez o seu sorriso malandro ao espreitar para dentro do embrulho e ver a Miffy! Veio a calhar! Nem de propósito. Ainda há dias tinha dito há Xana que tinhamos que ir um dia destes jogar basket com a Ariana. Agora com tabela em casa vai ser mais fácil. Hoje ainda não se fez o gosto ao dedo. Foi chegar a casa, rasgar o papel do embrulho, correr um bocado pela casa a rir com aquilo na mão gastando o resto das já fracas baterias e aterrar no sofá donde só saiu para a cama.
Diga-se de passagem foi um dia super-cansativo para a miúda. Foi uma dose um bocado forte de mais, logo a começar pela hora a que acordou. Mas o que interessa é que daqui a uns meses o que se vai lembrar é de andar no "comboio grande", de se equilibrar em cima das rochas da praia e correr na areia, de ver uma parafernália de bicharada e de se meter com ela, de comer o gelado com as amigas da mãe e de receber uma tabela de basket. Se alguém lhe disser que estava super-cansada vai-se lembrar tanto disso como eu me lembro da primeira vez que comi caldo-verde. E há-de-se estar a lixar tanto para isso como eu para a minha estreia nos caldinhos.
E para post de "regresso" acho que já vai bem longo. Tenho dito.
sábado, 16 de maio de 2009
Viagem ao Porto
Publicada por Faginea à(s) 23:53 2 comentários
Etiquetas: Viagens
domingo, 5 de abril de 2009
Kandinsky, fase amarela automóvel
É mais que sabido que, quando um destes diabretes de idades macias instala o estaminé e por lá fica muito sossegadinho durante tempos infindáveis, sem dizer nada a ninguém, das duas uma, ou lhe deu o badagaio, ou está a fazer alguma propicia ao badagaio alheio. Foi o caso. Estavamos a transplantar uns freixos, (cerca de 400), enquanto a Ariana andava de um lado para o outro a brincar no jardim. Freixo aqui freixo ali e deixámos de a ouvir. Quando o cérebro acordou p'a vida lembrei-me de ir ver o que andava a fazer. Já tinha abandonado o ninho e deixado a obra à vista.
Vi, assimilei, devagarinho... muito devagarinho, e retirei-me da exposição, sem me descoser. Fui ter com ela e como quem não quer a coisa disse: "Já viste o que aconteceu à 4L? Tá cheia de coisas amarelas esquisitas. O que será aquilo?" Começou logo a encolher-se e retorcer-se e a falar vagarosa e envergonhadamente num dialecto estranho que até hoje não consegui identificar para por fim lá dizer que tinha sido ela. Uma vez que a tinta, (por sorte!) é lavável, e já que a rapariga foi sincera não vale a pena fazer muito estrilho. Bla bla bla isto não se faz, tralala não é no carro que se pinta, pois pois pois e tal, mas deixem lá a rapariga ter quatro anos sossegadinha! Daqui a uns anos à conta destas e de outras haverá serões bem passados a recordar e gargalhar episódios semelhantes. Entretanto é ir apreciando as maravilhas que a artista fez ao puxador da porta, porque pouco mais à a fazer.
E já agora, dando direito de antena ao diabrete, importa dizer que a justificação por ela encontrada para decidir pintar a 4L de amarelo não podia ter sido mais bem fundamentada: "Eu pintei de amarelo porque já estava farta de ver a outra cor!" Aprenderam?
Publicada por Faginea à(s) 23:35 2 comentários
Etiquetas: Disparates, Pinturas
segunda-feira, 23 de março de 2009
Uma estreia em branco
Um banho de pó talco! Não é novidade para ninguém, calha a todos. A uns mais cedo, a outros mais tarde, mas calha a todos. Aliás acho a questão do banho de pó talco devia ser abordada no contexto dos estágios de desenvolvimento do Piaget. À Ariana calhou ser hoje.
Por falar em calhar. A mim calhou passar pela casa de banho. Ia por ali, por acaso. Podia não ter espreitado, mas espreitei. São as tais coisas, o que um impulso pode mudar no rumo da vida de uma pessoa. Neste caso de um objecto. Se eu não tivesse olhado deixava de haver frasco de pó talco, mas como olhei, ainda ficámos com 5% do frasco.
A minha primeira reacção foi de choque. É aquela fase em que o cérebro ainda está a processar a informação a perceber que raio de pó branco era aquele. Era pó talco! Assim em doses industriais, espalhado pelo chão, pela banheira, pelo armário, pelo tapete, e principalmente nela! Por acaso, tanto o chão, como o armário, o tapete e a banheira, sâo brancos, porque senão o choque era ainda maior. Mas isto do choque é tudo muito relativo, porque para ela é tudo muito normal: "Pai olha aqui! Estou toda branca!" E tive que responder à letra: "A sério? Olha que não se nota!"
Respirei fundo. Tentei lembrar-me que as crianças inventam, exploram, experimentam, descobrem, e de vez em quando, no meio dessas expedições malucas... abusam! No fundo é assim que crescem e deixam de ser bébés adoráveis para se transformarem em diabretes infernais. Por isso deixai a miúda seguir o rumo normal dos acontecimentos.
Mas não ficamos assim! Não, nada disso! Sujaste, vais limpar! Chão, banheira, armário e tapete. Eu aproveitei, e pus a miúda a limpar o corredor também. Deu jeito. E não se pode dizer que seja exploração infantil. Para isso ela teria que ser filha de outra pessoa, e trabalhar na indústria do calçado. Não é só aí que há exploração infantil (Ironiazinha) ?
A rapariga esmerou-se e que levou a coisa a sério. Prometeu que não volta a fazer. Ou seja, não volta mesmo. Porque se há coisa que ela leva a sério, são as promessas. Não achou muita piada que eu andasse a tirar fotografias, mas daqui a uns tempos vai-lhe saber bem rir-se dela própria. Até porque Zé Castelo Branco à parte (aconselho a experimentarem o link), não deve haver ninguém de quem nos saiba tão bem rir como de nós próprios.
Publicada por Faginea à(s) 16:37 0 comentários
domingo, 22 de março de 2009
Os Anos do Pedro
E como uma imagem vale mais que mil palavras (tretas, porque o contrário também é verdade), aqui ficam alguns fotogramas gentilmente cedidos pela Leonor. Podemos ver nesta primeira foto o último breefing estratégico da Trupe do Balão antes do ataque final. Acertam-se os últimos detalhes das tácticas de guerra, e confirmam-se os alvos a abater.
Uma vez seleccionados os alvos e acertados todos os pormenores estratégicos resta voziferar pelas ruas do desespero dos alvos em mira as palavras de ordem: Á Carga!!!
O Avô Carlos, um dos alvos seleccionados, debate-se com uma investida tresloucada da Trupe do Balão tentando esquivar-se. Sem sucesso.
Após a batalha, o merecido descanso e a recompensa: Bolo do Homem Aranha!

No final o sorriso tipíco. Misto de mistério, sacanice e pão de ló! (Lá atrás à espreita, para que conste, está a Tia São).

Chegada a casa, moída, cansada e sedenta de mimos de Mãe (que não via há 2 dias!) entregou-se aos braços dela, depois ao leite quente e por fim aos lençóis. Para a semana há mais. Diz a Avó Mira que sabe dessas coisas das datas de aniversários. Eu sei a minha e às vezes esqueço-me! (Pensem que é piadinha a ver o quanto se enganam!). E Ariana lá vai, mais uma vez, noutra expedição patrocinada pelos TIAMAC.
Publicada por Faginea à(s) 21:33 0 comentários
Etiquetas: Familia
Recordando datas Incertas
A noite da Mousse
Não sei quando foi, mas lembro-me da Mousse. Oh lá se eu me lembro da Mousse. Era noite. Noite assim escura, como o chocolate. Talvez por isso, deu-lhe vontades de se fazer cozinheira e de cravar o pessoal. Como à Avó e à Mãe de vez em quando também dão uns vipes de Mousse de Chocolate (graças à deuze né?), junta-se a fome com a vontade de comer, e vai de se buscar uns ovos, umas tabletes de chocolate e outros ingredientes secretos (andam à mama não?), e o mais importante de tudo: a cadeira! Claro, senão a nossa masterchef não chega ao balcão em jeitos decentes de fazer iguarias.

Não posso precisar o que é que a sereia está neste momento a "cantar", mas pela expressão parece-me algo do género: "Mas ó Pai tu não podes estar sempre a tirar fotografias! Também tens que ajudar!

Esta já deve ser mais algo do género: "Bem te podes lamber que aqui não metes o dedo!" Nisso ela é um bocado militar! É no fim que se come! Nada de meter dedos no entretanto.
E no fim? Bem, no fim comemos a Mousse. Nós, apenas nós, porque a Ariana só gosta mesmo de fazer. Ela é mais fruta!
Uma noite na Tenda
Gosto de dizer: Cá em casa as promessas são para cumprir! Não todas, mas algumas :) Como tal, no quarto da Ariana há um pequeno quadro para registar os pedidos que não se podem contemplar de imediato e que ficam em stand by à espera de oportunidade. É que há várias estratégias para não estar sempre a dizer não a uma criança ao ponto de ela viver com a ideia de que o mundo não funciona (eu sei que não funciona, mas deixem-na descobrir isso mais tarde).
Uma das estratégias é dizer: "Sim, está bem, pode ser, mas não agora...". Aqui a ideia é essa. A maior parte das coisas que lhe ocorrem são desejos que ela quer realizar naquele imediatismo impaciente de criança. Por exemplo, querer ver um filme a 5m de ir para a cama, o que nem sequer dá para uma curta-metragem do Chaplin (estamos muito cinéfilos hoje, estamos estamos)! Ou então, nadar na piscina de enxer num daqueles dias em que temos que nos agarrar aos postes para não levantar vôo (e há que escolher bem os postes, porque alguns voam mesmo).

Um destes dias (destes é como quem diz, lá bem para trás no tempo), ocorreu-lhe a ideia de montar a tenda dentro do quarto e dormir lá dentro. E... porque não? Vem crise ao mundo? Monta-se a tenda com todo o prazer mas... 5m, nem chega squer para a encontrar! Então ficou a ideia em standby. Uns dias mais tarde surgiu a oportunidade e lá fomos nós acampar no quarto.

Aqui vemos a jovem campista a acondicionar os seus aposentos por forma a passar uma noite na tenda. Estava ainda na ilusão de que a diversão da tenda conseguia superar o conforto da cama. Ainda aindou ali às voltas a brincar um bocado mas quando lhe perguntam: "Queres antes dormir na cama?" responde com um "Siimmmmmmm" de quem estava a ver que ninguém perguntava. Acho que foi melhor assim do que ficar 3 meses a ouvi-la dizer que prometeram e não cumpriram!
Publicada por Faginea à(s) 16:51 0 comentários
Etiquetas: Recordando
Recordando datas Específicas
Começamos pela aula de Arquitectura e Construção! Sim porque nós cá em casa ensinamos de tudo à Ariana. Como é que as casas se aguentam em pé? São sustentadas por pilares certo? (Agradecemos aos Eng. Civis que não façam comentários ao post só para referir que a explicação é demasiado simplista, porque para abelhudo estou cá eu!). Continuando, pilares. Então vá de fazer pilares. Qual a melhor forma de fazer pilares? Cimento? Não meus amigos, tenham juízo!! Qual cimento qual quê? Legos! Pilares é com Legos! E vai daí nasceu o pilar de Legos:

Como é óbvio já ninguém se lembra do que se passou neste dia, há mais de 2 meses atrás. Não me lembro do dia mas lembro-me da noite. A Ariana teimava em não conseguir adormecer provavelmente ansiosa com qualquer coisa.
Para grandes males, grandes remédios. Na altura lembrei-me de uma música que lhe costumava cantar em pequena e que a acalmava sempre. Das dezenas de vezes que a cantei não deve ter havido uma em que ela não tenha adormecido quase instantaneamente. A música, Redemption Song, do Bob, é hino à liberdade e à esperança tranquila. É provavelmente nessa tranquilidade que a Ariana encontra o que lhe falta para fechar as persianas dos olhos.

As fotos foram tiradas com o telemóvel, e além disso reduzi-lhes o tamanho propositadamente. Por isso nada de queixas com a falta de qualidade. É mesmo assim que é para ver.
Publicada por Faginea à(s) 16:01 1 comentários
Etiquetas: Recordando
quinta-feira, 19 de março de 2009
Dia do Pai!
Foi só preciso dizer que hoje era dia do pai para ela martelar na caixa de velocidades uma 4ª bem puxada em direcção ao quarto, fazer uma curva apertada a 100 à hora a roçar a escapatória, lançar-se no chão, qual Michael Phelps na piscina olímpica, enfiar a cabeça debaixo da cama, apontar o rabo para o tecto em pose ameaçadora, esticar o braço esterlicado e puxar um embrulho: "Toma Pai é para ti!"
E foi logo ali. Sem pensar mais nisso. Apijamos e remelentos, abrimos o embrulho. Surpresa para os dois, porque parece que a memória não atraiçoa só os adultos: "Pai, abre depressa para ver o que tá lá dentro que eu já não me lembro!". E dizem que o Avô Carlos é esquecido!
Afinal não era uma prenda. Eram duas. Um "avental" de garrafa, uma obra de arte especialmente dedicada a mim e um poema cantado. Compreendo a teoria do desenho, a musiquinha fica sempre bem. Quanto ao "avental" de garrafa... pronto está bem, continuamos a ser associados à vinhaça!
Publicada por Faginea à(s) 14:48 2 comentários
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segunda-feira, 16 de março de 2009
Já temos placa na Horta
Não foi preciso matar muito a bagueça (dialecto inesiense). Dois pedaços de madeira velha, uns minutos de Photoshop, a continuação de uma guerra já antiga com a impressora e voilá, algumas palmadas depois e uns parafusos nas costas, habemos placum!
A ideia era ser surpresa para a Ariana, mas acabou por ser mais uma troca por troca porque também já tinha uma coisa para mim. Quando chegou da escola já vinha desprevenida de cuidados a fazer slalom pelo jardim para me vir entregar a sua obra de arte diária. O Miró que se cuide! Não sei se teve ajuda ou não para fazer o mocho (canto superior direito), mas se não teve. Cuidado mesmo!
Quanto à placa da Porca, não precisou de me dizer muito. Explicou-se com o sorriso e com a corrida para a rua: "Olha mãe o que o pai fez! Anda pai vamos pôr mêmo agora!". Já era de noite, mas isso chateia alguém?
"Pai, acende a luz que eu vou já lá pôr na horta"
"Espera Ariana, vou buscar um martelo."
"Um martelo? Para quê?"
"Para bater na placa para ela entrar na terra..."
"Ahhhh boa pai! És mesmo esperto!"
Publicada por Faginea à(s) 23:19 1 comentários
Etiquetas: Actividades
domingo, 15 de março de 2009
Um dia em cheio!
Mas depois foi-se acelerando. Primeiro andou ajudar a mãe a mudar os freixos de sítio. Ofereceram-lhe 400 ontem! Mas não se choquem, todos juntos cabem numa folha A3! Depois agarrou no seu kit de jardinagem e pôs-se, determinada, a semear. Qualquer dia não há espaço para tanta sementeira. E daí não sei. Há ainda tanto espaço a explorar no telhado...
Azucrinada a cabeça das trovadoras da primavera em proporção suficiente, (já agora, a espécie é esta), virou as atenções para o Francisco, que entretanto acordou. Sim, hoje voltámos a ter a companhia do pequeno Francisco que a Ariana diz que adora! Horas de almoço e tal e de seguida um tanto de brincadeira de primos.
Como à farra da pequenada mais pequena tem que se seguir uma visita ao vale dos lençóis lá foi o Francisco aconchegar o colchão durante o resto da tarde. É nesta altura que a Ariana se lembra de ralhar: "Mãe! Andaste o dia todo com a minha máquina e tás sempre todos os dias com ela! Agora sou eu!" Ora bem. Uma vez que a máquina é mesmo dela, e uma vez que é de todo verdade que a Xana passou 99% da manhã a tirar fotografias às plantas do jardim (inventário evolutivo de primavera parte 1), não houve mesmo volta a dar: máquina para as mãos da bicha! Entretanto ainda tive direito a um foto apenas, para registar a maravilhosa obra de arte do dia anterior:
Depois pegou na máquina e pôs ao pescoço. Pegou no Pai e puxou-o decidida até à garagem onde diz num tom de quem é dona do mundo todo e manda na outra metade: "De manhã estive a espreitar as andorinhas com a mãe, agora somos nós os dois!" Ok mestre! Lá nos sentámos no chão da garagem, camuflados à espera da passarada. "Elas não vêem porquê pai?". "Não sei... achas que foram lanchar?". "Ai pai! Mas tu não sabes que as andorinhas lancham nas casas delas?!?" Por acaso desconhecia, e para a próxima tou caladinho!
Depois de uns minutos de espera (admira-me, e gabo-lhe a paciência!), lá apareceram as andorinhas. Nem vale a pena falar em fotos porque naquele corropio stressado é sorte não baterem nas paredes quanto mais estarem paradas o suficiente para uma criança de 4 anos e meio lhes tirar uma foto!
Depois da Horta da Porca Torta, um lanchinho e uma investida nos trabalhos manuais. Peguei no Livro do Papel do Savouré e fomos à aventura. A primeira fase foi de grande indecisão da parte dela e stressa da minha. É que o processo de escolha de uma criança em 90% das vezes é dizer que quer aquilo que tem à frente dos olhos e só desiste daquilo quando vê outra coisa. Neste caso todas as páginas tinham o projecto perfeito até eu virar a folha! Neste momento os olhos esbugalhavam-se o coração palpitava e o mundo caía-lhe aos pés tal era a surpresa por nova esplêndia descoberta! Um quarto de século depois lá nos ficámos por uma simples caixa. Eu cortei, ela pintou e eu colei. O resultado não me parece mau:
Tentei convencê-la a usar uma cruz por cada local onde houvesse formigas. Nada disso! "Não pai! Tem que ser todas!" O resultado é o que se vê! Quando acabou o espaço: "Prontos... agora já não dá para escrever mais vamos à procura de outros bichos!" Não é parva! Escolhe um caminho, segue por ele até ao fim, quando vê que já não tem mais nada a dar escolhe outro. Tem futuro a miúda, tem tem.
E já nem sei o que me cansou mais. Se fazer isto tudo num só dia, ou se ter que o escrever aqui. Sai um capuccino para acordar!
Publicada por Faginea à(s) 22:24 1 comentários
Etiquetas: Actividades
domingo, 8 de março de 2009
Fomos à Floresta
Pois é! Fomos à Floresta! A professora da Ariana convidou os pais a contribuir para um herbário que vão fazer na escola com a criançada e nós lá tirámos o Domingo para dar força à ideia. Sempre com o devido cuidado de explicar à Ariana que a coisa é para se ir fazendo com modos refreados. Se toda a gente se lembra de ir "gamar" plantinhas p'ra mata ao fim-de-semana para alimentar os herbários...
Mas o que conta é a intenção, e pôr as amostrinhas de gente a conhecer e viver a Biodiversidade é sempre de louvar! E sim, o uso do termo técnico é de propósito para pôr o pessoal passear na Wikipédia!
Aproveitámos a oportunidade para recolher algumas criancinhas vegetais (leia-se plântulas), para a colecção particular. Neste momento já estão em vaso à espera de ver o que dá. Foram principalmente Urzes, que estavam a brotar do chão num caminho florestal. Já se estava mesmo a ver o fim delas certo?
A Ariana vibrou com o passeio, especialmente na parte em que a Xana foi mudar o carro de sítio e ela se pôs a correr atrás do carro durante uns 200m de floresta. Foram-se as calorias todas do almoço! Adorou as flores azúis, não fosse a cor preferida dela. E teve sorte que havia aos montes! Apanhámos algumas e trouxemos uns bolbos para casa. Sempre orientados pela Ariana que só deixa apanhar onde houve muitas! "Onde há poucas tem que se deixar crescer."
Nos entretantos das correrias um achado imobiliário fantástico do mundo animal! Uma moradia geminada para um coleóptero (não confirmado, digo eu assim já de repente!) e uma aranha! É verdade! A Ariana não podia deixar de achar piada à coisa, e fez questão de tombar duas vezes sem se queixar por meio de urzes e tojos em corropio desenfreado até chegar até mim para me dar a notícia: "Pai! Tá ali uma flôr com uma aranha escondida lá dentro! E tem outro bicho cá fora!" Eu fui ver claro, e confirmava-se o achado da parelha feminina:
Depois correu, saltou, escondeu-se, riu-se, correu outra vez, espalhou-se, chorou, levantou-se, cansou-se, sentou-se, levantou-se e voltou a correr. No final não queria ir para casa, mas quando soube que ia ter uma visita dos avós enfiou-se no carro e pôs-se a cantar: "Vem lá a Avó Mirinha e o Avó Carlinhos!". E vieram mesmo! Vieram, e lancharam, e esconderam-se e jogaram à macaca! E para a próxima há mais!
Publicada por Faginea à(s) 21:08 0 comentários
Etiquetas: Passeios
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Aventura Caprina: Reportagem Fotográfica
Hoje deu tudo de frosques! Uns para um lado outros para o outro. Fiquei eu encarregue de tomar conta de duas pestinhas. Pestinha A: Ariana, Pestinha B: Inês. Nada que me tire muito sono. A partir daqui duas alternativas:1. Ficar fechado em casa a aturar desentendimentos, choros, empurrões, puxões de cabelos e estaladas entre pestinhas (o exagero é só no tamanho da frase!)
2. Levá-las para o mato e pô-las a correr, coisa que as crianças nunca dizem que não!
Óbvio que fui pela segunda alternativa, e não podia ter corrido melhor. Primeira paragem: Azinhal dos Azevedos. Logo à entrada, um cepo de uma azinheira que experimentou a sorte da moto-serra. A Ariana decidiu experimentar o equilibrismo. Foi preciso um bocado para se equilibrar, (o cepo estava mais torto do que parece). Aliás não descansou enquanto não conseguiu, e não aceitou ajudas. "Eu consigo!" dizia ela. E tinha razão. A Inês não quis subir, estava mais preocupada em stressar com o "perigo" da prima poder cair.
Seguiu-se uma incursão pela "estrada secreta" por trás do "muro das abelhas". A estrada só é secreta para crianças com idades inferiores a 5 anos, mas como é o caso, não lhes passa pela cabeça que toda a gente conhece a estrada. Mentirinha inocente!
Uma vez que a estrada era comprida nada melhor que uma pequena paragem debaixo de um Carvalho-Português para beber uma litrada de água e ouvir uma história. Já não me lembro de qual porque foi inventada na altura. Depois de vibrarem com a passagem do Alfa Pendular, seguimos para o tanque do qual não temos imagens por motivos relacionados com a necessidade de ter as mãos desocupadas para tentar evitar que as tentativas de saltar para dentro do tanque por parte de ambas as pestes (saliente-se a tenaz vontade da Inês), fossem sempre infrutíferas. Temos no entanto estas duas magnificas poses na hora do descanso:
Acabou-se o sossego para os caprinos, mas sempre ganharam no repasto. Uns rebentos simpáticos de oliveira fazem sempre a delicia das cabrinhas. Isto depois de eu ter que explicar á Inês que as cabras não gostam particularmente de flores.
Os cabritos que por lá andavam não são muito de se aproximar. "Têm vergonha" diz a Ariana. Mas isso da vergonha deve ser só com as pessoas, porque para dar marradelas na bolsa da máquina já não há vergonha!
Antes de ir embora ainda tivemos que prender uma das cabras que fugiu. Obviamente que não há fotos porque não há forma de estar de olho em duas crianças, ter uma mão a puxar uma cabra e ainda andar a tirar fotos para a posteridade. Para a próxima acrescentamos ao tour uns saltos para a água. Lá mais para o Verão.
Publicada por Faginea à(s) 18:46 1 comentários
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