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segunda-feira, 16 de março de 2009

Já temos placa na Horta

A partir de hoje a Horta da Porca Torta passa a ter logotipo próprio e placa identificativa. Convém marcar território não é? Não vá a o pessoal da RE/MAX pôr-se p'raí com ideias de meter uma das deles. É que com a fome com que andam já devem andar de olho em hortas e galinheiros!

Não foi preciso matar muito a bagueça (dialecto inesiense). Dois pedaços de madeira velha, uns minutos de Photoshop, a continuação de uma guerra já antiga com a impressora e voilá, algumas palmadas depois e uns parafusos nas costas, habemos placum!

A ideia era ser surpresa para a Ariana, mas acabou por ser mais uma troca por troca porque também já tinha uma coisa para mim. Quando chegou da escola já vinha desprevenida de cuidados a fazer slalom pelo jardim para me vir entregar a sua obra de arte diária. O Miró que se cuide! Não sei se teve ajuda ou não para fazer o mocho (canto superior direito), mas se não teve. Cuidado mesmo!

Quanto à placa da Porca, não precisou de me dizer muito. Explicou-se com o sorriso e com a corrida para a rua: "Olha mãe o que o pai fez! Anda pai vamos pôr mêmo agora!". Já era de noite, mas isso chateia alguém?

"Pai, acende a luz que eu vou já lá pôr na horta"
"Espera Ariana, vou buscar um martelo."
"Um martelo? Para quê?"
"Para bater na placa para ela entrar na terra..."
"Ahhhh boa pai! És mesmo esperto!"

Esta é aquela fase em que ainda os fascinamos com coisas tão simples. Mais uns anos (ou umas casas ao lado) e a resposta seria: "Dahh!! Eu sei!" Quanto ao resultado é o que se vê abaixo. A foto é do dia seguinte porque a da noite ficou um bocado estranha mesmo com flash.

Já agora o aspecto das alfacinhas neste momento é este:

Vai devagarinho. Folha a folha. Das que se vêem aqui, 30% já são a fazer conta com as investidas da bicharada. Sim porque se ganha mais em deixar umas folhas para a bicheza do que espetar com quimicos em cima das folhas. Alguém duvida?

domingo, 15 de março de 2009

Um dia em cheio!

Ora nem mais! Um dia em cheio mesmo! Começou devagarinho, com a "ronha" do acordar no sofá a ver bonecos e a comer cereais (mais "ronha" tinha o pai que a essa hora ainda dormia porque se armou em esperto e ficou a ver o Alien até ás 3 da manhã!).

Mas depois foi-se acelerando. Primeiro andou ajudar a mãe a mudar os freixos de sítio. Ofereceram-lhe 400 ontem! Mas não se choquem, todos juntos cabem numa folha A3! Depois agarrou no seu kit de jardinagem e pôs-se, determinada, a semear. Qualquer dia não há espaço para tanta sementeira. E daí não sei. Há ainda tanto espaço a explorar no telhado...

Esta foto (as boas vindas deste post), é da fase seguinte: à coca das andorinhas! É que as inquilinas da garagem já chegaram, e vai daí mãe e filha camuflaram-se à espera de as ver pousar no ninho, estratégicamente bem colocado sobre uma caixa elétrica. Dúvidas sobre a razão pela qual o consumo de electricidade tem subido ficam aqui decompostas!

Azucrinada a cabeça das trovadoras da primavera em proporção suficiente, (já agora, a espécie é esta), virou as atenções para o Francisco, que entretanto acordou. Sim, hoje voltámos a ter a companhia do pequeno Francisco que a Ariana diz que adora! Horas de almoço e tal e de seguida um tanto de brincadeira de primos.
Já agora alguém que explique ao Francisco que o escorrega se sobe por trás e se desce pela frente. Não sei se o facto de insistir em fazer ao contrário tem que ver com loucura ou aventura, qualquer das formas aquela estratégia de descer as escadas a arrojar o rabo deixa muito a desejar. E daí não sei, com aqueles "amortecedores fraldais" não há rabo que se apoquente!

Como à farra da pequenada mais pequena tem que se seguir uma visita ao vale dos lençóis lá foi o Francisco aconchegar o colchão durante o resto da tarde. É nesta altura que a Ariana se lembra de ralhar: "Mãe! Andaste o dia todo com a minha máquina e tás sempre todos os dias com ela! Agora sou eu!" Ora bem. Uma vez que a máquina é mesmo dela, e uma vez que é de todo verdade que a Xana passou 99% da manhã a tirar fotografias às plantas do jardim (inventário evolutivo de primavera parte 1), não houve mesmo volta a dar: máquina para as mãos da bicha! Entretanto ainda tive direito a um foto apenas, para registar a maravilhosa obra de arte do dia anterior:


Depois pegou na máquina e pôs ao pescoço. Pegou no Pai e puxou-o decidida até à garagem onde diz num tom de quem é dona do mundo todo e manda na outra metade: "De manhã estive a espreitar as andorinhas com a mãe, agora somos nós os dois!" Ok mestre! Lá nos sentámos no chão da garagem, camuflados à espera da passarada. "Elas não vêem porquê pai?". "Não sei... achas que foram lanchar?". "Ai pai! Mas tu não sabes que as andorinhas lancham nas casas delas?!?" Por acaso desconhecia, e para a próxima tou caladinho!

E continuámos à espera. Nós à espera e elas a passar lá fora, a voar, a picar, a rodopiar. Já farta, fartinha de esperar decidiu-se pela arte fotográfica do ninho das desertoras. Primeiro umas 15 tentativas ora desfocadas, ora tortas, ora a apanhar o carro da avó. Depois... "Pai... espera... eu vou lá ao pé." Levantou-se, esticou-se e lá tirou a prova da presença andorinhã:


Depois de uns minutos de espera (admira-me, e gabo-lhe a paciência!), lá apareceram as andorinhas. Nem vale a pena falar em fotos porque naquele corropio stressado é sorte não baterem nas paredes quanto mais estarem paradas o suficiente para uma criança de 4 anos e meio lhes tirar uma foto!

Seguiram-se as fotos às flores! As dela, as da mãe, as do pai. Depois ajudar a mãe a transplantar uma árvore! Um Freixo (Fraxinus angustifolius). Um freixo esterlicadinho que já se esticava demais para a capacidade do vaso. A mãe abriu o buraco, a Ariana saltou lá para dentro. A mãe foi buscar o Freixo, a Ariana continuou a saltar no buraco. Reparem que todo processo de entrar no buraco e saltar é indispensável para o bom desenvolvimento vegetal da árvore! (Piadinha!)


Depois de ajudar calcar a terra e a regar, virou-se para o ex-libris do jardim: A Horta da Porca Torta! Sim o nome é genial! Só a minha massa cinzenta seria capaz de tal criação! A Ariana adora e não admite qualquer mudança. Eu já tentei por duas vezes mas ela tem razão, fica melhor assim! E lá andou ela de Crocs na terra e regador na mão a safar as alfaces da caloraça dos últimos dias. E nada de gozar com o tamanho das alfaces! Só têm uma semana e já lhe foram "podadas" umas folhinhas depois da repicagem. Como tal parece-me que até estão com um tamaninho simpático.


Depois da Horta da Porca Torta, um lanchinho e uma investida nos trabalhos manuais. Peguei no Livro do Papel do Savouré e fomos à aventura. A primeira fase foi de grande indecisão da parte dela e stressa da minha. É que o processo de escolha de uma criança em 90% das vezes é dizer que quer aquilo que tem à frente dos olhos e só desiste daquilo quando vê outra coisa. Neste caso todas as páginas tinham o projecto perfeito até eu virar a folha! Neste momento os olhos esbugalhavam-se o coração palpitava e o mundo caía-lhe aos pés tal era a surpresa por nova esplêndia descoberta! Um quarto de século depois lá nos ficámos por uma simples caixa. Eu cortei, ela pintou e eu colei. O resultado não me parece mau:


Depois das "Artes", uma investida na Ecologia. Pois é, enquanto nos aventurámos nas manualidades, a mãe ia adiantando trabalho dos censos de aves comuns da SPEA. Como a bicha é curiosa por natureza (com todas as vantagens e desvantagens associadas) não pode ver ninguém compenetrado numa coisa que não queira logo fazer também. Como estava a ser difícil convencê-la de que ela não conseguia preencher os formulários dos censos, resolvi apostar na velha máxima: "Não podes vencê-los, junta-te a eles." Se ela quer fazer censos então vai fazer censos!

E fez mesmo! Peguei numa folha de papel e inventei. Primeiro que tudo um título: "Censos da Bicharada". Depois a matriz: Espécie por Número de Avistamentos. Por fim o código de cores para lhe permitir autonomia. Cor-de-rosa para a rola, porque é a côr que ela tem. Branco e castanho para o pardal, branco e preto para a andorinha, e por aí fora sempre com a mesma lógica. Podem ver o resultado na foto. Se repararem nas aranhas a terceira cruz é ligeiramente mais pequena. Explicou a Ariana que as duas primeiras aranhas que viu eram grandes e a terceira era "bébé". Parece-me bem, não acham?


Tentei convencê-la a usar uma cruz por cada local onde houvesse formigas. Nada disso! "Não pai! Tem que ser todas!" O resultado é o que se vê! Quando acabou o espaço: "Prontos... agora já não dá para escrever mais vamos à procura de outros bichos!" Não é parva! Escolhe um caminho, segue por ele até ao fim, quando vê que já não tem mais nada a dar escolhe outro. Tem futuro a miúda, tem tem.

Entretanto fez-se noite e a bicharada foi dormir. Nós fomos tratar do banho. Hoje o convidado especial foi um conjunto de peças de LEGO "arraçado de barco" feito ali à pressão de quem vê a hora de dormir a aproximar-se e o jantar por fazer. A Xana tratou disso enquanto eu tomei banho com a Ariana. Ela dentro na banheira, eu cá fora a levar com os salpicos.


Depois do jantar, o dia acabou por fim (já não era sem tempo!) com uma esfregadela de dentes, um salto para cima da Avó Gena (técnica de Boas Noites especialmente desenvolvida pela Ariana), e nós dois sentados na cama a olhar para o tecto à procura de melgas (sim porque por incrível que pareça elas já estão a chegar!), e a ler a história dos três porquinhos.

E já nem sei o que me cansou mais. Se fazer isto tudo num só dia, ou se ter que o escrever aqui. Sai um capuccino para acordar!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Bolinhos como o Pedro

Hoje foi dia de bolinhos. Estava prometido. Escrevemos no placard das coisas a fazer quando houver tempo, e prometemos que no fim-de-semana davamos uma olhadela. Não é que fosse preciso. Ela todos os dias fazia questão de relembrar que eu tinha de a avisar quando era fim-de-semana para fazer bolinho como o Pedro. Mas soube esperar, o que é bom.

O Pedro é o personagem do livro que a Carolina, a melhor amiga da Ariana lhe deu no Natal. Ao que parece na história o tal Pedro, acaba a fazer uns bolinhos com a mãe para enfeitar o seu "Pinheirinho de Natal". A Ariana decidiu fazer o mesmo.

Quem pensar que esta febre de fazer bolos é por gulodice desengane-se. Ela não provou um único bolo. Raramente prova. Gosta de fazer. De ir buscar os ingredientes, de subir para cima da cadeira para chegar ao balcão, daquele aparato todo e desarrumação. De espalhar a farinha, de meter as mãos na massa e dar-lhe murros à malandragem. De dar formas à massa, de pincelar com manteiga e lhe espetar uma amêndoa no cocuruto.

No fundo é um jogo de plasticina apenas. Por acaso, apenas por acaso, dá para comer. Mas não é coisa que a convença.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Sol e Água para crescer

Não é novidade. Ela já rega as plantas quase desde que aprendeu a segurar coisas nas mãos. Também está longe de ser a primeira vez que bota sementes à terra. Lembro-me particularmente bem de uma em que eu, depois de quase uma hora a retirar sementes de meio milimetro de diâmetro de dentro das cápsulas de uns Cistus, a vejo chegar ao pé de mim com cara de quem fez disparate e a pedir desculpa. Decidiu antecipar-se-me.

Anyway... hoje decidiu espontaneamente pegar em algumas sementes que tinha guardadas, nos seus belos vazos amarelos e no seu micro-regador do kit de jardinagem para crianças que a Tia Susana ofereceu no Natal. Pôs-se a semear plantas.

O kit inclui estacas de identificação para colocar na terra dos vasos. No entanto parece-me pouco inteligente a solução de ter estacas com espaços para escrever o nome das plantas quando o kit se destina a crianças a partir dos 3 anos. A não ser que lá no planeta Imaginarium se aprenda a ler a partir dessa idade!

O Google deu uma ajuda a encontrar umas imagens engraçadas de frutas e legumes, que imprimimos, recortámos, e colámos nas estacas. Uma vez que são as plantas dela, não tem lógica precisar de perguntar sempre aos outros o que é que lá está semeado. Agora é esperar que os pepinos, as maçãs e os morangos vão apanhando "sol e água para crescer" como a Ariana explica neste mini-video.


Caso não consigam ver o vídeo experimentem aqui.


PS: Este cover da Patti Smith do Smells like teen spirit do video vale bem a pena! Go Google It!