
Ora nem mais! Um dia em cheio mesmo! Começou devagarinho, com a "ronha" do acordar no sofá a ver bonecos e a comer cereais (mais "ronha" tinha o pai que a essa hora ainda dormia porque se armou em esperto e ficou a ver o Alien até ás 3 da manhã!).
Mas depois foi-se acelerando. Primeiro andou ajudar a mãe a mudar os freixos de sítio. Ofereceram-lhe 400 ontem! Mas não se choquem, todos juntos cabem numa folha A3! Depois agarrou no seu
kit de jardinagem e pôs-se, determinada, a semear. Qualquer dia não há espaço para tanta sementeira. E daí não sei. Há ainda tanto espaço a explorar no telhado...
Esta foto (as boas vindas deste post), é da fase seguinte: à coca das andorinhas! É que as inquilinas da garagem já chegaram, e vai daí mãe e filha camuflaram-se à espera de as ver pousar no ninho, estratégicamente bem colocado sobre uma caixa elétrica. Dúvidas sobre a razão pela qual o consumo de electricidade tem subido ficam aqui decompostas!
Azucrinada a cabeça das trovadoras da primavera em proporção suficiente, (já agora, a espécie é
esta), virou as atenções para o Francisco, que entretanto acordou. Sim, hoje voltámos a ter a companhia do pequeno Francisco que a Ariana diz que adora! Horas de almoço e tal e de seguida um tanto de brincadeira de primos.
Já agora alguém que explique ao Francisco que o escorrega se sobe por trás e se desce pela frente. Não sei se o facto de insistir em fazer ao contrário tem que ver com loucura ou aventura, qualquer das formas aquela estratégia de descer as escadas a arrojar o rabo deixa muito a desejar. E daí não sei, com aqueles "amortecedores fraldais" não há rabo que se apoquente!

Como à farra da pequenada mais pequena tem que se seguir uma visita ao vale dos lençóis lá foi o Francisco aconchegar o colchão durante o resto da tarde. É nesta altura que a Ariana se lembra de ralhar: "Mãe! Andaste o dia todo com a minha máquina e tás sempre todos os dias com ela! Agora sou eu!" Ora bem. Uma vez que a máquina é mesmo dela, e uma vez que é de todo verdade que a Xana passou 99% da manhã a tirar fotografias às plantas do jardim (inventário evolutivo de primavera parte 1), não houve mesmo volta a dar: máquina para as mãos da bicha! Entretanto ainda tive direito a um foto apenas, para registar a maravilhosa obra de arte do dia anterior:

Depois pegou na máquina e pôs ao pescoço. Pegou no Pai e puxou-o decidida até à garagem onde diz num tom de quem é dona do mundo todo e manda na outra metade: "De manhã estive a espreitar as andorinhas com a mãe, agora somos nós os dois!" Ok mestre! Lá nos sentámos no chão da garagem, camuflados à espera da passarada. "Elas não vêem porquê pai?". "Não sei... achas que foram lanchar?". "Ai pai! Mas tu não sabes que as andorinhas lancham nas casas delas?!?" Por acaso desconhecia, e para a próxima tou caladinho!
E continuámos à espera. Nós à espera e elas a passar lá fora, a voar, a picar, a rodopiar. Já farta, fartinha de esperar decidiu-se pela arte fotográfica do ninho das desertoras. Primeiro umas 15 tentativas ora desfocadas, ora tortas, ora a apanhar o carro da avó. Depois... "Pai... espera... eu vou lá ao pé." Levantou-se, esticou-se e lá tirou a prova da presença andorinhã:

Depois de uns minutos de espera (admira-me, e gabo-lhe a paciência!), lá apareceram as andorinhas. Nem vale a pena falar em fotos porque naquele corropio stressado é sorte não baterem nas paredes quanto mais estarem paradas o suficiente para uma criança de 4 anos e meio lhes tirar uma foto!
Seguiram-se as fotos às flores! As dela, as da mãe, as do pai. Depois ajudar a mãe a transplantar uma árvore! Um
Freixo (
Fraxinus angustifolius). Um freixo esterlicadinho que já se esticava demais para a capacidade do vaso. A mãe abriu o buraco, a Ariana saltou lá para dentro. A mãe foi buscar o Freixo, a Ariana continuou a saltar no buraco. Reparem que todo processo de entrar no buraco e saltar é indispensável para o bom desenvolvimento vegetal da árvore! (Piadinha!)

Depois de ajudar calcar a terra e a regar, virou-se para o ex-libris do jardim: A Horta da Porca Torta! Sim o nome é genial! Só a minha massa cinzenta seria capaz de tal criação! A Ariana adora e não admite qualquer mudança. Eu já tentei por duas vezes mas ela tem razão, fica melhor assim! E lá andou ela de
Crocs na terra e regador na mão a safar as alfaces da caloraça dos últimos dias. E nada de gozar com o tamanho das alfaces! Só têm uma semana e já lhe foram "podadas" umas folhinhas depois da repicagem. Como tal parece-me que até estão com um tamaninho simpático.

Depois da Horta da Porca Torta, um lanchinho e uma investida nos trabalhos manuais. Peguei no
Livro do Papel do Savouré e fomos à aventura. A primeira fase foi de grande indecisão da parte dela e stressa da minha. É que o processo de escolha de uma criança em 90% das vezes é dizer que quer aquilo que tem à frente dos olhos e só desiste daquilo quando vê outra coisa. Neste caso todas as páginas tinham o projecto perfeito até eu virar a folha! Neste momento os olhos esbugalhavam-se o coração palpitava e o mundo caía-lhe aos pés tal era a surpresa por nova esplêndia descoberta! Um quarto de século depois lá nos ficámos por uma simples caixa. Eu cortei, ela pintou e eu colei. O resultado não me parece mau:

Depois das "Artes", uma investida na Ecologia. Pois é, enquanto nos aventurámos nas manualidades, a mãe ia adiantando trabalho dos
censos de aves comuns da
SPEA. Como a bicha é curiosa por natureza (com todas as vantagens e desvantagens associadas) não pode ver ninguém compenetrado numa coisa que não queira logo fazer também. Como estava a ser difícil convencê-la de que ela não conseguia preencher os formulários dos censos, resolvi apostar na velha máxima: "Não podes vencê-los, junta-te a eles." Se ela quer fazer censos então vai fazer censos!
E fez mesmo! Peguei numa folha de papel e inventei. Primeiro que tudo um título: "Censos da Bicharada". Depois a matriz: Espécie por Número de Avistamentos. Por fim o código de cores para lhe permitir autonomia. Cor-de-rosa para a rola, porque é a côr que ela tem. Branco e castanho para o pardal, branco e preto para a andorinha, e por aí fora sempre com a mesma lógica. Podem ver o resultado na foto. Se repararem nas aranhas a terceira cruz é ligeiramente mais pequena. Explicou a Ariana que as duas primeiras aranhas que viu eram grandes e a terceira era "bébé". Parece-me bem, não acham?

Tentei convencê-la a usar uma cruz por cada local onde houvesse formigas. Nada disso! "Não pai! Tem que ser todas!" O resultado é o que se vê! Quando acabou o espaço: "Prontos... agora já não dá para escrever mais vamos à procura de outros bichos!" Não é parva! Escolhe um caminho, segue por ele até ao fim, quando vê que já não tem mais nada a dar escolhe outro. Tem futuro a miúda, tem tem.
Entretanto fez-se noite e a bicharada foi dormir. Nós fomos tratar do banho. Hoje o convidado especial foi um conjunto de peças de LEGO "arraçado de barco" feito ali à pressão de quem vê a hora de dormir a aproximar-se e o jantar por fazer. A Xana tratou disso enquanto eu tomei banho com a Ariana. Ela dentro na banheira, eu cá fora a levar com os salpicos.

Depois do jantar, o dia acabou por fim (já não era sem tempo!) com uma esfregadela de dentes, um salto para cima da Avó Gena (técnica de Boas Noites especialmente desenvolvida pela Ariana), e nós dois sentados na cama a olhar para o tecto à procura de melgas (sim porque por incrível que pareça elas já estão a chegar!), e a ler a história dos três porquinhos.
E já nem sei o que me cansou mais. Se fazer isto tudo num só dia, ou se ter que o escrever aqui. Sai um capuccino para acordar!