segunda-feira, 23 de março de 2009

Uma estreia em branco

Um banho de pó talco! Não é novidade para ninguém, calha a todos. A uns mais cedo, a outros mais tarde, mas calha a todos. Aliás acho a questão do banho de pó talco devia ser abordada no contexto dos estágios de desenvolvimento do Piaget. À Ariana calhou ser hoje.


Por falar em calhar. A mim calhou passar pela casa de banho. Ia por ali, por acaso. Podia não ter espreitado, mas espreitei. São as tais coisas, o que um impulso pode mudar no rumo da vida de uma pessoa. Neste caso de um objecto. Se eu não tivesse olhado deixava de haver frasco de pó talco, mas como olhei, ainda ficámos com 5% do frasco.


A minha primeira reacção foi de choque. É aquela fase em que o cérebro ainda está a processar a informação a perceber que raio de pó branco era aquele. Era pó talco! Assim em doses industriais, espalhado pelo chão, pela banheira, pelo armário, pelo tapete, e principalmente nela! Por acaso, tanto o chão, como o armário, o tapete e a banheira, sâo brancos, porque senão o choque era ainda maior. Mas isto do choque é tudo muito relativo, porque para ela é tudo muito normal: "Pai olha aqui! Estou toda branca!" E tive que responder à letra: "A sério? Olha que não se nota!"


Respirei fundo. Tentei lembrar-me que as crianças inventam, exploram, experimentam, descobrem, e de vez em quando, no meio dessas expedições malucas... abusam! No fundo é assim que crescem e deixam de ser bébés adoráveis para se transformarem em diabretes infernais. Por isso deixai a miúda seguir o rumo normal dos acontecimentos.


Mas não ficamos assim! Não, nada disso! Sujaste, vais limpar! Chão, banheira, armário e tapete. Eu aproveitei, e pus a miúda a limpar o corredor também. Deu jeito. E não se pode dizer que seja exploração infantil. Para isso ela teria que ser filha de outra pessoa, e trabalhar na indústria do calçado. Não é só aí que há exploração infantil (Ironiazinha) ?


A rapariga esmerou-se e que levou a coisa a sério. Prometeu que não volta a fazer. Ou seja, não volta mesmo. Porque se há coisa que ela leva a sério, são as promessas. Não achou muita piada que eu andasse a tirar fotografias, mas daqui a uns tempos vai-lhe saber bem rir-se dela própria. Até porque Zé Castelo Branco à parte (aconselho a experimentarem o link), não deve haver ninguém de quem nos saiba tão bem rir como de nós próprios.

domingo, 22 de março de 2009

Os Anos do Pedro

Anos! Festa! Bolos! Balões! O que é que os putos querem mais? Sim, férias eu sei, mas nestas idades as férias são o ano todo, por isso no TOP of the TOPs têm mesmo que figurar as festas de anos. Nós não temos ido a muitas é certo. Porque não dá, porque não calha, porque não queremos (há que chamar as coisas pelos nomes!) Eu pessoalmente cansei-me de serem sempre iguais. Quando há pouco tempo para se fazer o que se adora, é pouco provável que se gaste o tempo a fazer o que se tolera. É como tudo na vida, uns gostam de doces, outros de salgadinhos.

Mas a Ariana não. A Ariana gosta. A Ariana quer. A Ariana vai! E se os pais estão mais virados para outro lado, há avós para a levar à festa! Assim sendo, chegam os TIAMAC (Transportes Interurbanos da Avó Mira e do Avô Carlos) às 10 da matina e levam a Ariana para passar o dia todo com eles. Os pormenores restantes não sei porque não estava lá, mas foi para situações como estas que o Niépce andou a matar a cabeça (Eu sou mais um daqueles que acha que o Daguerre só pôs um ponto final na frase).

E como uma imagem vale mais que mil palavras (tretas, porque o contrário também é verdade), aqui ficam alguns fotogramas gentilmente cedidos pela Leonor. Podemos ver nesta primeira foto o último breefing estratégico da Trupe do Balão antes do ataque final. Acertam-se os últimos detalhes das tácticas de guerra, e confirmam-se os alvos a abater.




Uma vez seleccionados os alvos e acertados todos os pormenores estratégicos resta voziferar pelas ruas do desespero dos alvos em mira as palavras de ordem: Á Carga!!!

O Avô Carlos, um dos alvos seleccionados, debate-se com uma investida tresloucada da Trupe do Balão tentando esquivar-se. Sem sucesso.


Após a batalha, o merecido descanso e a recompensa: Bolo do Homem Aranha!



No final o sorriso tipíco. Misto de mistério, sacanice e pão de ló! (Lá atrás à espreita, para que conste, está a Tia São).



Chegada a casa, moída, cansada e sedenta de mimos de Mãe (que não via há 2 dias!) entregou-se aos braços dela, depois ao leite quente e por fim aos lençóis. Para a semana há mais. Diz a Avó Mira que sabe dessas coisas das datas de aniversários. Eu sei a minha e às vezes esqueço-me! (Pensem que é piadinha a ver o quanto se enganam!). E Ariana lá vai, mais uma vez, noutra expedição patrocinada pelos TIAMAC.

Recordando datas Incertas

E como recordar é viver, bora lá recordar mais um bocado. Agora assim mais de olhos fechados, ou seja, coisas que aconteceram no passado, mas num passado incerto. Datas, que é delas? Espero que não precisem porque nós também não. Aqui ficam então umas recordações nocturnas, assim de olhos bem fechados, à Kubrick!

A noite da Mousse

Não sei quando foi, mas lembro-me da Mousse. Oh lá se eu me lembro da Mousse. Era noite. Noite assim escura, como o chocolate. Talvez por isso, deu-lhe vontades de se fazer cozinheira e de cravar o pessoal. Como à Avó e à Mãe de vez em quando também dão uns vipes de Mousse de Chocolate (graças à deuze né?), junta-se a fome com a vontade de comer, e vai de se buscar uns ovos, umas tabletes de chocolate e outros ingredientes secretos (andam à mama não?), e o mais importante de tudo: a cadeira! Claro, senão a nossa masterchef não chega ao balcão em jeitos decentes de fazer iguarias.


Não posso precisar o que é que a sereia está neste momento a "cantar", mas pela expressão parece-me algo do género: "Mas ó Pai tu não podes estar sempre a tirar fotografias! Também tens que ajudar!


Esta já deve ser mais algo do género: "Bem te podes lamber que aqui não metes o dedo!" Nisso ela é um bocado militar! É no fim que se come! Nada de meter dedos no entretanto.

E no fim? Bem, no fim comemos a Mousse. Nós, apenas nós, porque a Ariana só gosta mesmo de fazer. Ela é mais fruta!

Uma noite na Tenda

Gosto de dizer: Cá em casa as promessas são para cumprir! Não todas, mas algumas :) Como tal, no quarto da Ariana há um pequeno quadro para registar os pedidos que não se podem contemplar de imediato e que ficam em stand by à espera de oportunidade. É que há várias estratégias para não estar sempre a dizer não a uma criança ao ponto de ela viver com a ideia de que o mundo não funciona (eu sei que não funciona, mas deixem-na descobrir isso mais tarde).


Uma das estratégias é dizer: "Sim, está bem, pode ser, mas não agora...". Aqui a ideia é essa. A maior parte das coisas que lhe ocorrem são desejos que ela quer realizar naquele imediatismo impaciente de criança. Por exemplo, querer ver um filme a 5m de ir para a cama, o que nem sequer dá para uma curta-metragem do Chaplin (estamos muito cinéfilos hoje, estamos estamos)! Ou então, nadar na piscina de enxer num daqueles dias em que temos que nos agarrar aos postes para não levantar vôo (e há que escolher bem os postes, porque alguns voam mesmo).



Um destes dias (destes é como quem diz, lá bem para trás no tempo), ocorreu-lhe a ideia de montar a tenda dentro do quarto e dormir lá dentro. E... porque não? Vem crise ao mundo? Monta-se a tenda com todo o prazer mas... 5m, nem chega squer para a encontrar! Então ficou a ideia em standby. Uns dias mais tarde surgiu a oportunidade e lá fomos nós acampar no quarto.


Aqui vemos a jovem campista a acondicionar os seus aposentos por forma a passar uma noite na tenda. Estava ainda na ilusão de que a diversão da tenda conseguia superar o conforto da cama. Ainda aindou ali às voltas a brincar um bocado mas quando lhe perguntam: "Queres antes dormir na cama?" responde com um "Siimmmmmmm" de quem estava a ver que ninguém perguntava. Acho que foi melhor assim do que ficar 3 meses a ouvi-la dizer que prometeram e não cumpriram!

Recordando datas Específicas

Pois é, hoje vamos apostar numa retrospectiva. Um recapitular de pequenos episódios que ora aconteceram antes da criação do blog, ora aconteceram depois e por qualquer razão nunca cá poisaram.

18 de Outubro, 2008 - Uma Torre de Legos!

Começamos pela aula de Arquitectura e Construção! Sim porque nós cá em casa ensinamos de tudo à Ariana. Como é que as casas se aguentam em pé? São sustentadas por pilares certo? (Agradecemos aos Eng. Civis que não façam comentários ao post só para referir que a explicação é demasiado simplista, porque para abelhudo estou cá eu!). Continuando, pilares. Então vá de fazer pilares. Qual a melhor forma de fazer pilares? Cimento? Não meus amigos, tenham juízo!! Qual cimento qual quê? Legos! Pilares é com Legos! E vai daí nasceu o pilar de Legos:



Não dá para ver na foto mas o pilar partia do chão e chegava ao tecto. Foi uma caixa de legos inteira, alguns pedaços de fita cola para prender na parede e muita paciência e dedicação. Não sei ao certo quanto tempo aquilo ficou de pé mas pelo menos 3 semanas foi de certeza! Está previsto um novo projecto quando se comprarem mais legos para ver se chegamos ao tecto do sótão. Aceita-se mão de obra e patrocínios!

18 de Janeiro, 2009 - Ouvindo Bob Marley

Como é óbvio já ninguém se lembra do que se passou neste dia, há mais de 2 meses atrás. Não me lembro do dia mas lembro-me da noite. A Ariana teimava em não conseguir adormecer provavelmente ansiosa com qualquer coisa.

Para grandes males, grandes remédios. Na altura lembrei-me de uma música que lhe costumava cantar em pequena e que a acalmava sempre. Das dezenas de vezes que a cantei não deve ter havido uma em que ela não tenha adormecido quase instantaneamente. A música, Redemption Song, do Bob, é hino à liberdade e à esperança tranquila. É provavelmente nessa tranquilidade que a Ariana encontra o que lhe falta para fechar as persianas dos olhos.




Eu próprio ouvi esta música vezes sem conta num albúm que o meu pai tinha, naquele vinyl de outros tempos. Ainda hoje é difícil cansar-me de a ouvir. Há-de vir o dia em que a Ariana a trauteie por aí, talvez com a mesma tranquilidade com que se pôs neste dia a olhar para dentro depois de poucos minutos com os phones nos ouvidos.



As fotos foram tiradas com o telemóvel, e além disso reduzi-lhes o tamanho propositadamente. Por isso nada de queixas com a falta de qualidade. É mesmo assim que é para ver.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Dia do Pai!

Dia do Pai... que sou eu! Logo, dia de presentes para o Je! A mim calhou-me logo um às 9 da "manhêm"!

Foi só preciso dizer que hoje era dia do pai para ela martelar na caixa de velocidades uma 4ª bem puxada em direcção ao quarto, fazer uma curva apertada a 100 à hora a roçar a escapatória, lançar-se no chão, qual Michael Phelps na piscina olímpica, enfiar a cabeça debaixo da cama, apontar o rabo para o tecto em pose ameaçadora, esticar o braço esterlicado e puxar um embrulho: "Toma Pai é para ti!"

E foi logo ali. Sem pensar mais nisso. Apijamos e remelentos, abrimos o embrulho. Surpresa para os dois, porque parece que a memória não atraiçoa só os adultos: "Pai, abre depressa para ver o que tá lá dentro que eu já não me lembro!". E dizem que o Avô Carlos é esquecido!

Afinal não era uma prenda. Eram duas. Um "avental" de garrafa, uma obra de arte especialmente dedicada a mim e um poema cantado. Compreendo a teoria do desenho, a musiquinha fica sempre bem. Quanto ao "avental" de garrafa... pronto está bem, continuamos a ser associados à vinhaça!




Anyway... após o ritual dos presentes, seguiu-se o ritual do fardamento, dos cereais, e do põe-te a andar para a escola. Tivemos que adiar o "dia a dois", (sem gajas grandes!) para amanhã porque hoje parece que há uma actividade importante na escola.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Já temos placa na Horta

A partir de hoje a Horta da Porca Torta passa a ter logotipo próprio e placa identificativa. Convém marcar território não é? Não vá a o pessoal da RE/MAX pôr-se p'raí com ideias de meter uma das deles. É que com a fome com que andam já devem andar de olho em hortas e galinheiros!

Não foi preciso matar muito a bagueça (dialecto inesiense). Dois pedaços de madeira velha, uns minutos de Photoshop, a continuação de uma guerra já antiga com a impressora e voilá, algumas palmadas depois e uns parafusos nas costas, habemos placum!

A ideia era ser surpresa para a Ariana, mas acabou por ser mais uma troca por troca porque também já tinha uma coisa para mim. Quando chegou da escola já vinha desprevenida de cuidados a fazer slalom pelo jardim para me vir entregar a sua obra de arte diária. O Miró que se cuide! Não sei se teve ajuda ou não para fazer o mocho (canto superior direito), mas se não teve. Cuidado mesmo!

Quanto à placa da Porca, não precisou de me dizer muito. Explicou-se com o sorriso e com a corrida para a rua: "Olha mãe o que o pai fez! Anda pai vamos pôr mêmo agora!". Já era de noite, mas isso chateia alguém?

"Pai, acende a luz que eu vou já lá pôr na horta"
"Espera Ariana, vou buscar um martelo."
"Um martelo? Para quê?"
"Para bater na placa para ela entrar na terra..."
"Ahhhh boa pai! És mesmo esperto!"

Esta é aquela fase em que ainda os fascinamos com coisas tão simples. Mais uns anos (ou umas casas ao lado) e a resposta seria: "Dahh!! Eu sei!" Quanto ao resultado é o que se vê abaixo. A foto é do dia seguinte porque a da noite ficou um bocado estranha mesmo com flash.

Já agora o aspecto das alfacinhas neste momento é este:

Vai devagarinho. Folha a folha. Das que se vêem aqui, 30% já são a fazer conta com as investidas da bicharada. Sim porque se ganha mais em deixar umas folhas para a bicheza do que espetar com quimicos em cima das folhas. Alguém duvida?

domingo, 15 de março de 2009

Um dia em cheio!

Ora nem mais! Um dia em cheio mesmo! Começou devagarinho, com a "ronha" do acordar no sofá a ver bonecos e a comer cereais (mais "ronha" tinha o pai que a essa hora ainda dormia porque se armou em esperto e ficou a ver o Alien até ás 3 da manhã!).

Mas depois foi-se acelerando. Primeiro andou ajudar a mãe a mudar os freixos de sítio. Ofereceram-lhe 400 ontem! Mas não se choquem, todos juntos cabem numa folha A3! Depois agarrou no seu kit de jardinagem e pôs-se, determinada, a semear. Qualquer dia não há espaço para tanta sementeira. E daí não sei. Há ainda tanto espaço a explorar no telhado...

Esta foto (as boas vindas deste post), é da fase seguinte: à coca das andorinhas! É que as inquilinas da garagem já chegaram, e vai daí mãe e filha camuflaram-se à espera de as ver pousar no ninho, estratégicamente bem colocado sobre uma caixa elétrica. Dúvidas sobre a razão pela qual o consumo de electricidade tem subido ficam aqui decompostas!

Azucrinada a cabeça das trovadoras da primavera em proporção suficiente, (já agora, a espécie é esta), virou as atenções para o Francisco, que entretanto acordou. Sim, hoje voltámos a ter a companhia do pequeno Francisco que a Ariana diz que adora! Horas de almoço e tal e de seguida um tanto de brincadeira de primos.
Já agora alguém que explique ao Francisco que o escorrega se sobe por trás e se desce pela frente. Não sei se o facto de insistir em fazer ao contrário tem que ver com loucura ou aventura, qualquer das formas aquela estratégia de descer as escadas a arrojar o rabo deixa muito a desejar. E daí não sei, com aqueles "amortecedores fraldais" não há rabo que se apoquente!

Como à farra da pequenada mais pequena tem que se seguir uma visita ao vale dos lençóis lá foi o Francisco aconchegar o colchão durante o resto da tarde. É nesta altura que a Ariana se lembra de ralhar: "Mãe! Andaste o dia todo com a minha máquina e tás sempre todos os dias com ela! Agora sou eu!" Ora bem. Uma vez que a máquina é mesmo dela, e uma vez que é de todo verdade que a Xana passou 99% da manhã a tirar fotografias às plantas do jardim (inventário evolutivo de primavera parte 1), não houve mesmo volta a dar: máquina para as mãos da bicha! Entretanto ainda tive direito a um foto apenas, para registar a maravilhosa obra de arte do dia anterior:


Depois pegou na máquina e pôs ao pescoço. Pegou no Pai e puxou-o decidida até à garagem onde diz num tom de quem é dona do mundo todo e manda na outra metade: "De manhã estive a espreitar as andorinhas com a mãe, agora somos nós os dois!" Ok mestre! Lá nos sentámos no chão da garagem, camuflados à espera da passarada. "Elas não vêem porquê pai?". "Não sei... achas que foram lanchar?". "Ai pai! Mas tu não sabes que as andorinhas lancham nas casas delas?!?" Por acaso desconhecia, e para a próxima tou caladinho!

E continuámos à espera. Nós à espera e elas a passar lá fora, a voar, a picar, a rodopiar. Já farta, fartinha de esperar decidiu-se pela arte fotográfica do ninho das desertoras. Primeiro umas 15 tentativas ora desfocadas, ora tortas, ora a apanhar o carro da avó. Depois... "Pai... espera... eu vou lá ao pé." Levantou-se, esticou-se e lá tirou a prova da presença andorinhã:


Depois de uns minutos de espera (admira-me, e gabo-lhe a paciência!), lá apareceram as andorinhas. Nem vale a pena falar em fotos porque naquele corropio stressado é sorte não baterem nas paredes quanto mais estarem paradas o suficiente para uma criança de 4 anos e meio lhes tirar uma foto!

Seguiram-se as fotos às flores! As dela, as da mãe, as do pai. Depois ajudar a mãe a transplantar uma árvore! Um Freixo (Fraxinus angustifolius). Um freixo esterlicadinho que já se esticava demais para a capacidade do vaso. A mãe abriu o buraco, a Ariana saltou lá para dentro. A mãe foi buscar o Freixo, a Ariana continuou a saltar no buraco. Reparem que todo processo de entrar no buraco e saltar é indispensável para o bom desenvolvimento vegetal da árvore! (Piadinha!)


Depois de ajudar calcar a terra e a regar, virou-se para o ex-libris do jardim: A Horta da Porca Torta! Sim o nome é genial! Só a minha massa cinzenta seria capaz de tal criação! A Ariana adora e não admite qualquer mudança. Eu já tentei por duas vezes mas ela tem razão, fica melhor assim! E lá andou ela de Crocs na terra e regador na mão a safar as alfaces da caloraça dos últimos dias. E nada de gozar com o tamanho das alfaces! Só têm uma semana e já lhe foram "podadas" umas folhinhas depois da repicagem. Como tal parece-me que até estão com um tamaninho simpático.


Depois da Horta da Porca Torta, um lanchinho e uma investida nos trabalhos manuais. Peguei no Livro do Papel do Savouré e fomos à aventura. A primeira fase foi de grande indecisão da parte dela e stressa da minha. É que o processo de escolha de uma criança em 90% das vezes é dizer que quer aquilo que tem à frente dos olhos e só desiste daquilo quando vê outra coisa. Neste caso todas as páginas tinham o projecto perfeito até eu virar a folha! Neste momento os olhos esbugalhavam-se o coração palpitava e o mundo caía-lhe aos pés tal era a surpresa por nova esplêndia descoberta! Um quarto de século depois lá nos ficámos por uma simples caixa. Eu cortei, ela pintou e eu colei. O resultado não me parece mau:


Depois das "Artes", uma investida na Ecologia. Pois é, enquanto nos aventurámos nas manualidades, a mãe ia adiantando trabalho dos censos de aves comuns da SPEA. Como a bicha é curiosa por natureza (com todas as vantagens e desvantagens associadas) não pode ver ninguém compenetrado numa coisa que não queira logo fazer também. Como estava a ser difícil convencê-la de que ela não conseguia preencher os formulários dos censos, resolvi apostar na velha máxima: "Não podes vencê-los, junta-te a eles." Se ela quer fazer censos então vai fazer censos!

E fez mesmo! Peguei numa folha de papel e inventei. Primeiro que tudo um título: "Censos da Bicharada". Depois a matriz: Espécie por Número de Avistamentos. Por fim o código de cores para lhe permitir autonomia. Cor-de-rosa para a rola, porque é a côr que ela tem. Branco e castanho para o pardal, branco e preto para a andorinha, e por aí fora sempre com a mesma lógica. Podem ver o resultado na foto. Se repararem nas aranhas a terceira cruz é ligeiramente mais pequena. Explicou a Ariana que as duas primeiras aranhas que viu eram grandes e a terceira era "bébé". Parece-me bem, não acham?


Tentei convencê-la a usar uma cruz por cada local onde houvesse formigas. Nada disso! "Não pai! Tem que ser todas!" O resultado é o que se vê! Quando acabou o espaço: "Prontos... agora já não dá para escrever mais vamos à procura de outros bichos!" Não é parva! Escolhe um caminho, segue por ele até ao fim, quando vê que já não tem mais nada a dar escolhe outro. Tem futuro a miúda, tem tem.

Entretanto fez-se noite e a bicharada foi dormir. Nós fomos tratar do banho. Hoje o convidado especial foi um conjunto de peças de LEGO "arraçado de barco" feito ali à pressão de quem vê a hora de dormir a aproximar-se e o jantar por fazer. A Xana tratou disso enquanto eu tomei banho com a Ariana. Ela dentro na banheira, eu cá fora a levar com os salpicos.


Depois do jantar, o dia acabou por fim (já não era sem tempo!) com uma esfregadela de dentes, um salto para cima da Avó Gena (técnica de Boas Noites especialmente desenvolvida pela Ariana), e nós dois sentados na cama a olhar para o tecto à procura de melgas (sim porque por incrível que pareça elas já estão a chegar!), e a ler a história dos três porquinhos.

E já nem sei o que me cansou mais. Se fazer isto tudo num só dia, ou se ter que o escrever aqui. Sai um capuccino para acordar!

domingo, 8 de março de 2009

Fomos à Floresta

Pois é! Fomos à Floresta! A professora da Ariana convidou os pais a contribuir para um herbário que vão fazer na escola com a criançada e nós lá tirámos o Domingo para dar força à ideia. Sempre com o devido cuidado de explicar à Ariana que a coisa é para se ir fazendo com modos refreados. Se toda a gente se lembra de ir "gamar" plantinhas p'ra mata ao fim-de-semana para alimentar os herbários...

Mas o que conta é a intenção, e pôr as amostrinhas de gente a conhecer e viver a Biodiversidade é sempre de louvar! E sim, o uso do termo técnico é de propósito para pôr o pessoal passear na Wikipédia!

Aproveitámos a oportunidade para recolher algumas criancinhas vegetais (leia-se plântulas), para a colecção particular. Neste momento já estão em vaso à espera de ver o que dá. Foram principalmente Urzes, que estavam a brotar do chão num caminho florestal. Já se estava mesmo a ver o fim delas certo?

A Ariana vibrou com o passeio, especialmente na parte em que a Xana foi mudar o carro de sítio e ela se pôs a correr atrás do carro durante uns 200m de floresta. Foram-se as calorias todas do almoço! Adorou as flores azúis, não fosse a cor preferida dela. E teve sorte que havia aos montes! Apanhámos algumas e trouxemos uns bolbos para casa. Sempre orientados pela Ariana que só deixa apanhar onde houve muitas! "Onde há poucas tem que se deixar crescer."

Nos entretantos das correrias um achado imobiliário fantástico do mundo animal! Uma moradia geminada para um coleóptero (não confirmado, digo eu assim já de repente!) e uma aranha! É verdade! A Ariana não podia deixar de achar piada à coisa, e fez questão de tombar duas vezes sem se queixar por meio de urzes e tojos em corropio desenfreado até chegar até mim para me dar a notícia: "Pai! Tá ali uma flôr com uma aranha escondida lá dentro! E tem outro bicho cá fora!" Eu fui ver claro, e confirmava-se o achado da parelha feminina:

Depois correu, saltou, escondeu-se, riu-se, correu outra vez, espalhou-se, chorou, levantou-se, cansou-se, sentou-se, levantou-se e voltou a correr. No final não queria ir para casa, mas quando soube que ia ter uma visita dos avós enfiou-se no carro e pôs-se a cantar: "Vem lá a Avó Mirinha e o Avó Carlinhos!". E vieram mesmo! Vieram, e lancharam, e esconderam-se e jogaram à macaca! E para a próxima há mais!