Hoje foi dia de bolinhos. Estava prometido. Escrevemos no placard das coisas a fazer quando houver tempo, e prometemos que no fim-de-semana davamos uma olhadela. Não é que fosse preciso. Ela todos os dias fazia questão de relembrar que eu tinha de a avisar quando era fim-de-semana para fazer bolinho como o Pedro. Mas soube esperar, o que é bom.O Pedro é o personagem do livro que a Carolina, a melhor amiga da Ariana lhe deu no Natal. Ao que parece na história o tal Pedro, acaba a fazer uns bolinhos com a mãe para enfeitar o seu "Pinheirinho de Natal". A Ariana decidiu fazer o mesmo.
Quem pensar que esta febre de fazer bolos é por gulodice desengane-se. Ela não provou um único bolo. Raramente prova. Gosta de fazer. De ir buscar os ingredientes, de subir para cima da cadeira para chegar ao balcão, daquele aparato todo e desarrumação. De espalhar a farinha, de meter as mãos na massa e dar-lhe murros à malandragem. De dar formas à massa, de pincelar com manteiga e lhe espetar uma amêndoa no cocuruto.
No fundo é um jogo de plasticina apenas. Por acaso, apenas por acaso, dá para comer. Mas não é coisa que a convença.

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