Era meio-dia. Ou talvez mais cedo, caso não fosse mesmo mais tarde. Qualquer das formas nada é mais irrelevante que o tempo. Lá fora o Pedro dava conta do sistema de rega automática. Pedro, o Santo claro. Trato-o pelo nome próprio apenas. Acho que ao fim de todos estes anos a levar com as mijas dele já nos podemos dar a esse luxo não?
A água lá ia aliviando a secura do musgo que recuperámos do presépio de natal da escolinha da Ariana. Chegou para cobrir todo o relvado dos baloiços da criançada aqui no jardim. Um dia destes há-de voltar à casa mãe, enroscado entre um sítio húmido e umas pedras toscas.
Preparava-se o almoço. Alguém ajeitava os tachos e os temperos. Alguém atirava os pratos à mesa. Alguém corria pela casa a cantarolar músicas de natal naquela santa ingenuidade de criança que pensa que a coisa ainda não passou. Algo de fantástico estava para acontecer.
Abancámos. Marchou a sopa e veio o peixe, o arroz, o ovo, a cenoura crua, e a alface. A dada altura reparei que faltava cor no prato. Roubei do frigorífico uma beterraba. Mostrei-lhe e perguntei se queria. Fez cara feia. Claro! Até parece que aquela coisa castanha tem bom aspecto.
Mostrei-lhe o interior. Achou mais piada. Mesmo assim saiu-se com o "Não gosto!" do costume. Eu retorqui com o habitual "Como é que sabes se não provaste?". É argumento que nem sempre pega, e não pegou mesmo. Qualquer das formas convém sempre dizer, é educativo! "É primo da Cenoura", voltei eu a insistir.
Eu sei que não é, mas ela também não sabe. Na verdade, a cenoura é uma umbelifera e a beterraba uma amarantácea. Mas quem é que diz que isso é relevante? Interessa que ela percebeu que o gosto é parecido. Pegou num pedaço e lá se decidiu a trincá-lo. Foi esse, e outro. Outro e mais outro. O seguinte e o que veio depois. Os do prato dela e o do meu, e os dos outros se lá estivessem.
Eu sei. Não é nada digno de prémio Nobel. Assim à primeira vista parece qualquer coisa de banal.
Agora lembrem-se das vacas trituradas no meio de pão de plástico que pôem os putos cada vez mais a salivar. Lembrem-se dos açúcares acerealados que eles pedem para o pequeno-almoço (se virem a composição na embalagem chegam à conclusão que não é correcto chamar-lhes cereais açucarados!). Lembre-se das estatisticas dos anafados infantis.
E agora digam-me, é ou não motivo para festejar?
Ver esta miúda comer beterraba, cenoura, alface, bróculos, etc com tanto gosto, para além de ser um prazer é uma garantia de futuro. E mais importante que tudo! Garantia de ajuda na horta! De facto é de pequenino que se torce o pepino. Já agora, se houver ela também come. O dela, e o dos outros.
A água lá ia aliviando a secura do musgo que recuperámos do presépio de natal da escolinha da Ariana. Chegou para cobrir todo o relvado dos baloiços da criançada aqui no jardim. Um dia destes há-de voltar à casa mãe, enroscado entre um sítio húmido e umas pedras toscas.
Preparava-se o almoço. Alguém ajeitava os tachos e os temperos. Alguém atirava os pratos à mesa. Alguém corria pela casa a cantarolar músicas de natal naquela santa ingenuidade de criança que pensa que a coisa ainda não passou. Algo de fantástico estava para acontecer.
Abancámos. Marchou a sopa e veio o peixe, o arroz, o ovo, a cenoura crua, e a alface. A dada altura reparei que faltava cor no prato. Roubei do frigorífico uma beterraba. Mostrei-lhe e perguntei se queria. Fez cara feia. Claro! Até parece que aquela coisa castanha tem bom aspecto.
Mostrei-lhe o interior. Achou mais piada. Mesmo assim saiu-se com o "Não gosto!" do costume. Eu retorqui com o habitual "Como é que sabes se não provaste?". É argumento que nem sempre pega, e não pegou mesmo. Qualquer das formas convém sempre dizer, é educativo! "É primo da Cenoura", voltei eu a insistir.
Eu sei que não é, mas ela também não sabe. Na verdade, a cenoura é uma umbelifera e a beterraba uma amarantácea. Mas quem é que diz que isso é relevante? Interessa que ela percebeu que o gosto é parecido. Pegou num pedaço e lá se decidiu a trincá-lo. Foi esse, e outro. Outro e mais outro. O seguinte e o que veio depois. Os do prato dela e o do meu, e os dos outros se lá estivessem.
Eu sei. Não é nada digno de prémio Nobel. Assim à primeira vista parece qualquer coisa de banal.
Agora lembrem-se das vacas trituradas no meio de pão de plástico que pôem os putos cada vez mais a salivar. Lembrem-se dos açúcares acerealados que eles pedem para o pequeno-almoço (se virem a composição na embalagem chegam à conclusão que não é correcto chamar-lhes cereais açucarados!). Lembre-se das estatisticas dos anafados infantis.
E agora digam-me, é ou não motivo para festejar?
Ver esta miúda comer beterraba, cenoura, alface, bróculos, etc com tanto gosto, para além de ser um prazer é uma garantia de futuro. E mais importante que tudo! Garantia de ajuda na horta! De facto é de pequenino que se torce o pepino. Já agora, se houver ela também come. O dela, e o dos outros.

1 comentários:
Pq será que os adultos dizem que as crianças não gostam de vegetais? O meu pequenino adora!!!!
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