domingo, 8 de março de 2009

Fomos à Floresta

Pois é! Fomos à Floresta! A professora da Ariana convidou os pais a contribuir para um herbário que vão fazer na escola com a criançada e nós lá tirámos o Domingo para dar força à ideia. Sempre com o devido cuidado de explicar à Ariana que a coisa é para se ir fazendo com modos refreados. Se toda a gente se lembra de ir "gamar" plantinhas p'ra mata ao fim-de-semana para alimentar os herbários...

Mas o que conta é a intenção, e pôr as amostrinhas de gente a conhecer e viver a Biodiversidade é sempre de louvar! E sim, o uso do termo técnico é de propósito para pôr o pessoal passear na Wikipédia!

Aproveitámos a oportunidade para recolher algumas criancinhas vegetais (leia-se plântulas), para a colecção particular. Neste momento já estão em vaso à espera de ver o que dá. Foram principalmente Urzes, que estavam a brotar do chão num caminho florestal. Já se estava mesmo a ver o fim delas certo?

A Ariana vibrou com o passeio, especialmente na parte em que a Xana foi mudar o carro de sítio e ela se pôs a correr atrás do carro durante uns 200m de floresta. Foram-se as calorias todas do almoço! Adorou as flores azúis, não fosse a cor preferida dela. E teve sorte que havia aos montes! Apanhámos algumas e trouxemos uns bolbos para casa. Sempre orientados pela Ariana que só deixa apanhar onde houve muitas! "Onde há poucas tem que se deixar crescer."

Nos entretantos das correrias um achado imobiliário fantástico do mundo animal! Uma moradia geminada para um coleóptero (não confirmado, digo eu assim já de repente!) e uma aranha! É verdade! A Ariana não podia deixar de achar piada à coisa, e fez questão de tombar duas vezes sem se queixar por meio de urzes e tojos em corropio desenfreado até chegar até mim para me dar a notícia: "Pai! Tá ali uma flôr com uma aranha escondida lá dentro! E tem outro bicho cá fora!" Eu fui ver claro, e confirmava-se o achado da parelha feminina:

Depois correu, saltou, escondeu-se, riu-se, correu outra vez, espalhou-se, chorou, levantou-se, cansou-se, sentou-se, levantou-se e voltou a correr. No final não queria ir para casa, mas quando soube que ia ter uma visita dos avós enfiou-se no carro e pôs-se a cantar: "Vem lá a Avó Mirinha e o Avó Carlinhos!". E vieram mesmo! Vieram, e lancharam, e esconderam-se e jogaram à macaca! E para a próxima há mais!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Aventura Caprina: Reportagem Fotográfica

Hoje deu tudo de frosques! Uns para um lado outros para o outro. Fiquei eu encarregue de tomar conta de duas pestinhas. Pestinha A: Ariana, Pestinha B: Inês. Nada que me tire muito sono. A partir daqui duas alternativas:

1. Ficar fechado em casa a aturar desentendimentos, choros, empurrões, puxões de cabelos e estaladas entre pestinhas (o exagero é só no tamanho da frase!)

2. Levá-las para o mato e pô-las a correr, coisa que as crianças nunca dizem que não!

Óbvio que fui pela segunda alternativa, e não podia ter corrido melhor. Primeira paragem: Azinhal dos Azevedos. Logo à entrada, um cepo de uma azinheira que experimentou a sorte da moto-serra. A Ariana decidiu experimentar o equilibrismo. Foi preciso um bocado para se equilibrar, (o cepo estava mais torto do que parece). Aliás não descansou enquanto não conseguiu, e não aceitou ajudas. "Eu consigo!" dizia ela. E tinha razão. A Inês não quis subir, estava mais preocupada em stressar com o "perigo" da prima poder cair.

Seguiu-se uma incursão pela "estrada secreta" por trás do "muro das abelhas". A estrada só é secreta para crianças com idades inferiores a 5 anos, mas como é o caso, não lhes passa pela cabeça que toda a gente conhece a estrada. Mentirinha inocente!

Uma vez que a estrada era comprida nada melhor que uma pequena paragem debaixo de um Carvalho-Português para beber uma litrada de água e ouvir uma história. Já não me lembro de qual porque foi inventada na altura. Depois de vibrarem com a passagem do Alfa Pendular, seguimos para o tanque do qual não temos imagens por motivos relacionados com a necessidade de ter as mãos desocupadas para tentar evitar que as tentativas de saltar para dentro do tanque por parte de ambas as pestes (saliente-se a tenaz vontade da Inês), fossem sempre infrutíferas. Temos no entanto estas duas magnificas poses na hora do descanso:

Depois de conseguir evitar todas as tentativas de se ensoparem no tanque, avistámos as nossas amigas cabras. Amigas porque já são presença habitual e já as tratamos por nomes específicos: "A branca", "A preta", "A malhada", "A maluca", etc. A partir daqui foi algazarra total.

Acabou-se o sossego para os caprinos, mas sempre ganharam no repasto. Uns rebentos simpáticos de oliveira fazem sempre a delicia das cabrinhas. Isto depois de eu ter que explicar á Inês que as cabras não gostam particularmente de flores.

Em termos de conversa, a coisa foi animada, especialmente entre a Ariana e "A malhada", como aliás a foto comprova.


Os cabritos que por lá andavam não são muito de se aproximar. "Têm vergonha" diz a Ariana. Mas isso da vergonha deve ser só com as pessoas, porque para dar marradelas na bolsa da máquina já não há vergonha!


Antes de ir embora ainda tivemos que prender uma das cabras que fugiu. Obviamente que não há fotos porque não há forma de estar de olho em duas crianças, ter uma mão a puxar uma cabra e ainda andar a tirar fotos para a posteridade. Para a próxima acrescentamos ao tour uns saltos para a água. Lá mais para o Verão.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

E eis que a febre ataca...

Hoje a Ariana está doente. Hoje, ontem e anteontem. Provavelmente amanhã e nos seguintes. Vais ser uma semana sem ir à escola, o que tem coisas boas e más. Há bocado medimos 38,2º de febre. Foi a mais alta até agora. Mas sem stresses. Os panos gelados na testa já a fizeram baixar. Fomos à médica, que aconselhou o costumeiro repouso, xarope, e não apanhar Sol. Não me tinha mesmo passado isso pela cabeça! Às vezes ponho-me a pensar porque é que vamos ao médico, mas antes assim que ao contrário.

Mas como tudo na vida, há coisas boas e más em estar doente. Neste momento o corpo da Ariana está a ganhar imunidade. Como lhe explicámos "o corpo está a aprender a defender-se dos micróbios que estão a fazer mal. Quando eles vierem outra vez já não ficas doente". Apesar de não ser 100% verdade, é suficientemente verdade para não ser mentira, e suficientemente lógico para a fazer compreender o essencial, estar doente não tem só coisas más.

Por exemplo, hoje de manhã li-lhe a colecção toda de histórias do Pingo Doce. São só 12! Fora as histórias inventadas nos intervalos e os jogos e joguinhos. Alguém no lugar dela se queixava? Eu não. Porque carga d'água é que eu metia o termómetro debaixo do candeeiro? Ora nem mais, pelo conforto da cama e das papas quentes.

Amanhã ou depois fica boa. Se não fôr depois é a seguir. O que importa é que ficou mais forte e aprendeu qualquer coisa. E eu fiquei a saber as histórias todas de cor, o que em momentos de aperto (leia-se falta de livros), vai dar um jeitão. O Chico por seu lado (na foto), já está melhor, diz a Ariana que também tinha febre. O filho é dela. Se ela diz que sim, porque é que vou duvidar?

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Nanook, o meu cão esquimó



A Nanook é um cão especial. Para tal bastava saber que é um dos cães da Ariana, mas há mais. Primeiro pelo nome. De facto não lembra a ninguém. Só mesmo a mim claro. Nanook foi uma resposta inata a um comentário da Xana há uns anos atrás quando ainda nos debatíamos com a indecisão do nome do cão. Achava ela que ele tinha cara de esquimó. "Então chama-lhe Nanook" disse eu. Pareceu-me lógico.

Para quem não sabe, Nanook é o nome de um Inuk que surge documentado no filme Nanook of the North do Robert Flaherty. Considerado o primeiro documentário da história do cinema, é uma seca pegada para quem não tiver um minimo de interesse pela história do cinema. E sim, nesse aspecto, bate as novelas da SIC aos pontos!

Mas não é só o nome que o torna especial. Por exemplo o Nanook não se sabe sentar como os cães normais. Apenas pelo simples facto de não ser um cão normal, nada mais! Uma das patas traseiras fica deitada, o rabo apoia-se nela e a outra fica erecta à espera de servir de alavanca quando decide levantar-se. O que diga-se de passagem, para ele é um tormento e vem sempre acompanhado de um som estranho que facilmente entendemos como um cocktail de rabugice e preguiça.

Dizem, os entendidos em canídeos que já lhe puseram a vista em cima, que é "arraçado" de Castro Laboreiro. Se olharmos para ele percebemos que tem alguma lógica. Mas o Nanook está longe de ser um cão lógico. Lembrem-se, ele é especial. E apesar de ser até bastante provável que tenha alguns genes de Laboreiro parece-me que a misturadora de genes onde foi concebido teria com certeza fugas. É que o Nanook tem uma tolerância ao frio que fica quase perto do -3 numa escala de 0 a 10! Não se pode dizer que seja um cão do Norte!

Mas é. Curioso. Surgiu nas nossas vidas em Vila Real, ainda cachorro, trapalhão como sempre, medroso quanto baste a esconder-se nos arbustos e debaixo dos carros na bela e saudosa UTAD. Deu então de caras (neste caso focinho), com a Xana. Apesar de no inicio lhe ter chamado cadelinha (digamos que a identidade do Nanook ainda não era suficientemente visivel), o bicho acabou por se afeiçoar a ela e ela a ele.

Depois de umas noites passadas em Vila Real, e outras no Porto na saudosa Residencial Tinoco (Private Joke), veio para o Ribatejo onde, a julgar pela tolerância ao frio, se sentirá provavelmente mais confortável.

Desde então tem sido o palerma de sempre. Muito vagaroso e trapalhão, pouco dado a correrias (até porque com aquele corpo são precisos uns 15m para arrancar), e sempre, sempre pronto para petiscar. Gatos? Sim, já acabou com alguns infelizmente. Cães? Não tem contacto com muitos, mas o Putchi, o outro cão da Ariana, só não foi desta para pior porque o mudámos para a casa da Avó Georgina.

Agressivo? Não sei. É tudo muito relativo. Eu por exemplo tive um cão que será provavelmente o mais meigo da história canídea, o Beethoven. No entanto, não havia uma única vez que não me rosnasse quando me aproximava da comida dele. O Nanook por outro lado, mesmo com a intolerância a gatos e a outros cães, deixa fazer isto que a foto mostra.

É um cão estranho, diferente, especial, palerma quanto baste. Não posso dizer que confio 100% no Nanook. Mas não tenho problemas em dizer que também não vou abaixo dos 99%.

É um cão especial. É o cão da Ariana. Esperamos que por muitos anos.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Um dia com o Francisco

Hoje ficámos a tomar conta do Francisco, e a Ariana fez questão de levar o papel dela a sério! Decidimos apostar na triologia "Mimos, Passeio e Macacas" que costuma resultar bem com os putos. A Ariana ajudou a mudar fraldas, levou-o a passear, emprestou-lhe brinquedos, e tratou também das macacadas e das mimadelas.

O mimo

O passeio

As macacadas


E que não nos passasse pela cabeça deixar o rapaz destapado. "Está muito frio!"

Parece-me que o rapaz ficou satisfeito com a estadia e principalmente com o passeio. Pelo menos a julgar pelas fotos.


Se dependesse da Ariana amanhã era já outra vez. "Quando é que o Francisco vem cá outra vez?"

domingo, 18 de janeiro de 2009

Bolinhos como o Pedro

Hoje foi dia de bolinhos. Estava prometido. Escrevemos no placard das coisas a fazer quando houver tempo, e prometemos que no fim-de-semana davamos uma olhadela. Não é que fosse preciso. Ela todos os dias fazia questão de relembrar que eu tinha de a avisar quando era fim-de-semana para fazer bolinho como o Pedro. Mas soube esperar, o que é bom.

O Pedro é o personagem do livro que a Carolina, a melhor amiga da Ariana lhe deu no Natal. Ao que parece na história o tal Pedro, acaba a fazer uns bolinhos com a mãe para enfeitar o seu "Pinheirinho de Natal". A Ariana decidiu fazer o mesmo.

Quem pensar que esta febre de fazer bolos é por gulodice desengane-se. Ela não provou um único bolo. Raramente prova. Gosta de fazer. De ir buscar os ingredientes, de subir para cima da cadeira para chegar ao balcão, daquele aparato todo e desarrumação. De espalhar a farinha, de meter as mãos na massa e dar-lhe murros à malandragem. De dar formas à massa, de pincelar com manteiga e lhe espetar uma amêndoa no cocuruto.

No fundo é um jogo de plasticina apenas. Por acaso, apenas por acaso, dá para comer. Mas não é coisa que a convença.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Sol e Água para crescer

Não é novidade. Ela já rega as plantas quase desde que aprendeu a segurar coisas nas mãos. Também está longe de ser a primeira vez que bota sementes à terra. Lembro-me particularmente bem de uma em que eu, depois de quase uma hora a retirar sementes de meio milimetro de diâmetro de dentro das cápsulas de uns Cistus, a vejo chegar ao pé de mim com cara de quem fez disparate e a pedir desculpa. Decidiu antecipar-se-me.

Anyway... hoje decidiu espontaneamente pegar em algumas sementes que tinha guardadas, nos seus belos vazos amarelos e no seu micro-regador do kit de jardinagem para crianças que a Tia Susana ofereceu no Natal. Pôs-se a semear plantas.

O kit inclui estacas de identificação para colocar na terra dos vasos. No entanto parece-me pouco inteligente a solução de ter estacas com espaços para escrever o nome das plantas quando o kit se destina a crianças a partir dos 3 anos. A não ser que lá no planeta Imaginarium se aprenda a ler a partir dessa idade!

O Google deu uma ajuda a encontrar umas imagens engraçadas de frutas e legumes, que imprimimos, recortámos, e colámos nas estacas. Uma vez que são as plantas dela, não tem lógica precisar de perguntar sempre aos outros o que é que lá está semeado. Agora é esperar que os pepinos, as maçãs e os morangos vão apanhando "sol e água para crescer" como a Ariana explica neste mini-video.


Caso não consigam ver o vídeo experimentem aqui.


PS: Este cover da Patti Smith do Smells like teen spirit do video vale bem a pena! Go Google It!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Beterraba para que te quero

Era meio-dia. Ou talvez mais cedo, caso não fosse mesmo mais tarde. Qualquer das formas nada é mais irrelevante que o tempo. Lá fora o Pedro dava conta do sistema de rega automática. Pedro, o Santo claro. Trato-o pelo nome próprio apenas. Acho que ao fim de todos estes anos a levar com as mijas dele já nos podemos dar a esse luxo não?

A água lá ia aliviando a secura do musgo que recuperámos do presépio de natal da escolinha da Ariana. Chegou para cobrir todo o relvado dos baloiços da criançada aqui no jardim. Um dia destes há-de voltar à casa mãe, enroscado entre um sítio húmido e umas pedras toscas.

Preparava-se o almoço. Alguém ajeitava os tachos e os temperos. Alguém atirava os pratos à mesa. Alguém corria pela casa a cantarolar músicas de natal naquela santa ingenuidade de criança que pensa que a coisa ainda não passou. Algo de fantástico estava para acontecer.

Abancámos. Marchou a sopa e veio o peixe, o arroz, o ovo, a cenoura crua, e a alface. A dada altura reparei que faltava cor no prato. Roubei do frigorífico uma beterraba. Mostrei-lhe e perguntei se queria. Fez cara feia. Claro! Até parece que aquela coisa castanha tem bom aspecto.

Mostrei-lhe o interior. Achou mais piada. Mesmo assim saiu-se com o "Não gosto!" do costume. Eu retorqui com o habitual "Como é que sabes se não provaste?". É argumento que nem sempre pega, e não pegou mesmo. Qualquer das formas convém sempre dizer, é educativo! "É primo da Cenoura", voltei eu a insistir.

Eu sei que não é, mas ela também não sabe. Na verdade, a cenoura é uma umbelifera e a beterraba uma amarantácea. Mas quem é que diz que isso é relevante? Interessa que ela percebeu que o gosto é parecido. Pegou num pedaço e lá se decidiu a trincá-lo. Foi esse, e outro. Outro e mais outro. O seguinte e o que veio depois. Os do prato dela e o do meu, e os dos outros se lá estivessem.

Eu sei. Não é nada digno de prémio Nobel. Assim à primeira vista parece qualquer coisa de banal.

Agora lembrem-se das vacas trituradas no meio de pão de plástico que pôem os putos cada vez mais a salivar. Lembrem-se dos açúcares acerealados que eles pedem para o pequeno-almoço (se virem a composição na embalagem chegam à conclusão que não é correcto chamar-lhes cereais açucarados!). Lembre-se das estatisticas dos anafados infantis.

E agora digam-me, é ou não motivo para festejar?

Ver esta miúda comer beterraba, cenoura, alface, bróculos, etc com tanto gosto, para além de ser um prazer é uma garantia de futuro. E mais importante que tudo! Garantia de ajuda na horta! De facto é de pequenino que se torce o pepino. Já agora, se houver ela também come. O dela, e o dos outros.

Um cachecol novo!

Um cachecol novo! (E assim começa o meu blog!)

A campainha tocou. A Ariana, num misto de cagaço e curiosidade correu apressada para cima do sofá. Esticou-se ao meu lado a espreitar quem era. "É o carteiro! É o carteiro Paulo!". Não é Paulo mas é carteiro. Também serve.

Eu lá fui ao encontro do mensageiro polar (na última semana é raro o dia em que não vamos aos zero graus ou pelo menos lá perto). Ela à porta, qual cadelinha amestrada, respeitando o limite da tijoleira para o cimento molhado. Esticada, aos saltinhos, com um sorriso curioso de criança.

Para além das cartinhas simpáticas das contas mensais, um envelope gordinho. "É do Tio Ricardo e da Tia Catarina. Vem da Escócia!". Esbugalhou os olhos e começou aos saltos pela sala. "No envelope diz: Para a Ariana, Xana e Jorge. Abrimos agora ou esperamos pela mãe?". Não é que não soubesse a resposta mas fica bem sermos democratas..

"Uau! É um cachecol!". Os olhos da bicha esbugalharam-se outra vez, deu mais umas palmadas no chão com os pés e perguntou para quem era, naquela esperança louca de ouvir o seu nome. "Se calhar é para ti. Temos que ler a carta."

"Bla bla bla bla bla um cachecol para a Ariana". Ao que ela responde com mais um par de olhos a querer orbitar fora da esfera celeste daquela cabecinha desorientada e com um entusiasmado: "E é mesmo!". Claro que a esta altura já o cachecol era dela há muito tempo (mesmo que não fosse), porque desde que saiu de dentro do envelope já ela andava com ele ao pescoço.

Mas a confirmação, ahh a confirmação! Qual Cristiano Ronaldo à espera de saber que, de todos os toscos que sabem jogar à bola mas nunca acabaram de ler um livro, ele é o melhor de todos! Isto era um cachecol para a Ariana! E Azul! E mesmo não sendo acontecimento para ter o mediatismo daquele do madeirense, ela fez questão de fazer a sua parte: "Avó, avó! Tenho um cachecol novo! Foi a Tia Catarina e o Tio Ricardo que fizeram!".Antes da avó poder sequer responder, já o Expresso do Ariente vai a apregoar o nome da próxima estação: "Vou mostrar à bivó Georgina."

Pobre terceira idade. Já não se pode dar descanço às baterias e ressonar um bocado no sofá do quarto. Tem que se levar sempre com um sobressalto de palmo e meio e voz esganiçada. Vá lá, no fim ganhou um mimo.

Acalmou. Mas não esqueceu. Saltou de novo para o sofá agora com um propósito mais definido: "Quero falar com o Tio Ricardo e a Tia Catarina!". Sim majestade, ao seu dispôr! "Mas eles estão na Escócia Ariana." Claro, piadinha! "Mas aí no computador pai! Como no outro dia!"

Fui verificar. Não há sinal de tios nem tias. "Então quando eles estiverem aí chama-me para eu falar com eles". Concordei. E pois cá estamos nós. À espera. Ela de cachecol ao pescoço a passear a vaca pela casa. Eu a rapar frio, de mãos alternadas entre o teclado e uma chávena de roiboos. O jeito que me dava um cachecol de dedos. O jeito que dava.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Brinquedos para os meninos

É Natal! Dizem...

Eu acho-lhe piada. Talvez pelo vermelho, não sei. Andamos a tilintar de frio e de repente o mundo enche-se de uma vermelho quentinho. Sempre aconchega qualquer coisa.

Não ligo grande coisa à tradição religiosa e irrita-me o corropio disparatado nas lojas. Derretem-se euros em ninharias e palermices, diabetes encaixotados, rococós e chinezices e embrulhos aparolados. Continua a surpreender-me que os enfeites nas ruas e os anúncios de brinquedos se antecipem cada vez mais e ano após ano se aproximem do Verão. Incomoda-me a parolice dos pais natais nas varandas a fazer companhia às bandeiras que ficaram do Euro. Há-de vir o decreto que obrigue o Scolari a apanhá-las todas, uma a uma!

Ainda assim, aquele vermelho quentinho...

A Ariana por outro lado, vibra com a coisa independentemente da cor. Eles que pintem o Nicolau de laranja a ver se ela perde o sono! Desde que haja papel para rasgar, por ela tudo bem. Acho que nem é tanto pelo conteúdo, é mais pela descoberta. É pegar, rasgar, e seguir para o próximo. Quantos brinquedos estão encaixotados em cima do roupeiro? Ah pois é...

Por causa destes exageros, o Natal da Ariana este ano começou com uma dádiva de presentes. Pegámos numa parafernalia de jogos e joguinhos, bonecos e bonequinhos, juntámos uma pitada de outros objectos úteis a progenitores menos abastados e rumámos a um centro de acolhimento de crianças.

Acho que a piada do Natal é mesmo essa. Dar. Já repararam que por esta altura anda toda a gente numa boa onda? Um género de estado de ganza generalizada. Eu sou daqueles que acredita que esta boa onda está associada ao facto de dar-mos coisas aos outros. Não façam caso desta ingenuidade, mas acho que somos inatamente mais felizes a criar do que a destruir, e dar tem a ver com criar algo novo em alguém.

Os sacos que deixámos hoje no centro de acolhimento encheram uma bagageira e metade do banco traseiro. Algumas destas coisas estão por estrear, ou quase. Acho a Ariana ganhou mais em desfazer-se deles do que em usá-los.

Parece-me que as pessoas andam demasiado preocupadas em deixar as crianças serem crianças (como se fossem apenas os brinquedos que fizessem delas crianças), e demasiado esquecidas que de um dia elas terão que ser adultas. Há um meio termo para tudo. Não encham os putos de brinquedos, isso não os faz mais felizes nem mais crianças. Ensinem-nos a dar. Pelo menos isso faz deles mais pessoas!

PS: Na foto a Ariana está junto à árvore de Natal do centro de acolhimento. O boneco foi o único de que não conseguiu desfazer-se. Para quem deu tanto, é mais que justificar com ele.

E agora minha gente, tenham um Bom Natal! Se conseguirem...
(Saudosa homenagem ao Igor do Conde Patrácula ;)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O Natal, o Nicolau e a mãe da Teresa

Hoje foi o dia da Festa de Natal da escola da Ariana, que incluiu as actividades do costume. Música, poemas cantados, mesa posta para os convidados (my personal favourite!), prendas, Pai Natal (um tal de Nicolau), exposição das Árvores de Natal das familias (ver foto ali ao lado) e brincadeiras infantis post-party, que é como quem diz: mais roupa para lavar!

À parte da mesa posta, que como já disse esteve no TOP dos favoritos, achei particular piada a esse tal de Nicolau, Pai Natal para os amigos. Estranhei logo à partida o facto de demorar tanto tempo a aparecer. Não conseguia na altura perceber o porquê daquilo mas mais tarde tudo acabaria por fazer sentido.

A dada altura lá entrou o Nicolau (Pai Natal para os amigos), a ajeitar a barba torta, de saco às costas e com um Ho Ho Ho muito suspeito. Esganiçado de mais! Tudo se estava a compôr, na minha cabeça as coisas começavam finalmente a fazer sentido. Quem deu o golpe final foi a Ariana! Aquando da aproximação das crianças aos presentes (leia-se cambada de putos a atropelar os pais para chegar perto de um gordo ficticio que tanto quanto sei nem sequer se chamava Nicolau!), voltou para trás e diz com um ar de espanto mas ao mesmo tempo de divertida e chateada: "É a mãe da Teresa!".

E pronto! Estava o mistério resolvido. Não era o verdadeiro Pai Natal, o tal Nicolau, apenas uma imitação de última hora protagonizada por uma mãe sempre disposta a fazer serviço público. Olhando para trás percebemos que não fomos de todo inteligentes. As pistas estavam lá. A barba torta, a voz esganiçada, e principalmente, principalmente amigos, o atraso! Quem é que costuma demorar sempre mais que tempos a vestir-se? As mulheres! Óbvio que nunca podia ser o Nicolau!

Era de facto a mãe da Teresa disfarçada. Sim, disfarçada, mas pelos vistos não o suficiente.